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12 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


Os Redemoinhos Ocultos
nos Arcanos Maiores do Tarot
Mauro Franco
 
A mais antiga interpretação dos Arcanos Maiores do Tarot é a de uma trajetória linear que vai do Arcano 0 até o Arcano 21. Nesse esquema o Louco é interpretado como “O Viajante” ou “O Peregrino” que, em sua jornada, se vê retratado em várias situações que acabam sendo as situações representadas pelos arcanos maiores. A pista para esta interpretação vem da nossa forma de tratar o Arcano 0, nosso Coringa dos baralhos que usamos de forma lúdica.
Essa forma lúdica nem sempre foi vista como diversão. A história do Tarot estabelece que este conjunto de símbolos foi criado para preservar uma verdade antiga ante a queda da humanidade e o avanço das forças que a corrompem e a levam ao vício desregrado. Esconder estas verdades em algo que se tornaria utilizável em nível de vício, o jogo. Quem por ventura teve o “azar” de colocar suas economias em jogos de azar deve compreender bem as energias envolvidas nisso.
A ideia de uma trajetória linear foi explorada por muitos escritores ocultistas inclusive Eliphas Levi e Papus em seus tratados sobre Tarot e Magia. Basicamente leva à estrutura do alfabeto hebraico de 22 letras, cada uma com um significado e com conotações divinas quanto às várias combinações de letras. A Moderna Psicologia os chama de Arquétipos.
A forma mais elevada de consideração aos Arcanos Maiores do Tarot deriva do fato de que na Cabala Judaica as 22 letras (e os 22 Arcanos Maiores junto com eles) são interpretados como os 22 canais que interligam a Árvore da Vida. O nome Tora, o conjunto de ensinamentos não públicos, não divulgáveis do livro dos livros, e que teria sido criada por Moisés para uso dos Rabinos, também é um anagrama para Tarô ou para Rota.
Rodas
Após o Arcano 21, a jornada sempre retorna ao Arcano 0 (como Arcano 22) reiniciando um novo ciclo. Sob este ponto de vista, cada novo ciclo não é um retorno ao princípio como era antes, pois existe uma experiência acumulada durante a o trajeto, então, este ciclo é melhor visto como uma helicoide, uma hélice, uma mola.
Esta ideia leva à de um redemoinho devido ao fato de que a cada volta nossa experiência nos faz percorrer o caminho dos 22 arcanos de forma mais rápida o que torna a volta mais apertada, como um funil ou um cone. Ainda assim, isto é uma roda, uma rota.
Roda       Rota
Seu ponto de convergência é seu centro ou, se virmos de outra forma, um local fora da roda, do redemoinho, como a estrela no alto de uma Árvore de Natal, sendo a árvore uma imagem simbólica do próprio redemoinho.
Estudos sobre os conjunto das cartras podem ser acessado no Clube do Tarô, na seção Arcanos Maiores / Estudos de conjunto: www.clubedotaro.com.br/site/m33_0_estudos.asp. E o texto de Oswald Wirth sobre agrupamentos: Os indícios reveladores dos segredos do Tarô
Duas Rodas
O homem se debate desde sempre com o mais básico dos princípios, o bem e o mal. Temos até um mito que estabelece que, mesmo para cometer o pecado original, tivemos de comer do fruto da árvore que concede o conhecimento do Bem e do Mal. Ambos.
Parece que tudo vem aos pares. A Luz, sob o ponto de vista da Física é constituída por dois campos, um elétrico e outro magnético. O Elétron ás vezes se comporta como Onda e outras vezes como Partícula. A invenção de Newton, o cálculo Diferencial e Integral, nos mostra duas faces da mesma matemática, uma levando do Particular ao Integral (Integração) e outra levando do Integral ao Particular (Derivação). Então, descobrimos que Shakespeare estava certo, “Ser” ou “Não-Ser”, eis a questão. Ser é Subjetivo e Particular. Somos o Sujeito. Não-Ser é Objetivo e Coletivo. Somos o Objeto. Os antigos Vedas chamavam de Aham e Idham e legaram estes conceitos na forma de escolas de Yoga. Tudo tem seu oposto. Tudo no Universo parece ser o equilíbrio de duas forças. O próprio Universo parece ser simétrico. Como Em cima é Em baixo.
Temos, então, uma segunda interpretação do ciclo de Arcanos Maiores. Não tão estudada como a primeira, mas presente em vários escritos de vários autores. Esta ideia de Pares é o que norteia a formação dos quatro naipes. Ouros, o Pajem, acompanha Espadas, o Cavaleiro. Copas, a Rainha, acompanha Paus, o Rei. Dois Pares. A tradição estabelece que o Iniciado passa por Ouros como ajudante de uma egrégora, torna-se cavaleiro, Espadas, e, ao perceber que esta egrégora nada consegue realizar e que seu trabalho como pajem é inócuo, isola-se até tornar-se Adepto. Ao fim deste estágio une-se ao Macroposopo utilizando as duas qualidades que treinou, sua parte receptiva (Ouros que evolui para Copas) e sua parte ativa (Espadas que evolui para Paus). Não há tantos mistérios se entendermos isto como dois fluxos, um aquoso e receptivo e outro flamejante e ativo, mas, ambos, como características humanas, próprias de nossa espécie. Sob este ponto de vista nunca roubamos o fogo dos deuses, apenas o descobrimos em nós mesmos.
Estudos sobre os pares de arcanos, podem ser acessados no Clube do Tarô:
– Oswald Wirth: Os indícios reveladores dos segredos do Tarô
– P. D. Ouspensky: O Simbolismo do Tarô
Os dois autores estabelecem uma relação dos arcanos maiores em pares, dois a dois, criando linhas de ligação no círculo de arcanos, como mostra a ilustração abaixo:
A Roda do Tarô - Wirth
A roda dos arcanos maiores sugerida por Oswald Wirth
Editoração CKR - Clube do Tarô
As ligações seguem uma sequência de linhas paralelas dentro do círculo, entre os arcanos 1 e 0 (ou 22), 2 e 21, 3 e 20 e assim por diante até os arcanos 11 e 12.
Na verdade poder-se-ia realizar outra ligação, também com sentido, ligando os pares na forma de raios. Então o arcano 0 (22) se ligaria ao arcano 11, o arcano 2 ao arcano 12 até a ligação do arcano 10 com o arcano 21. Curiosamente, se sobrepusermos estes dois últimos arcanos perceberemos que a Roda do Arcano 10 e a mandorla do Arcano 21, em volta do andrógino são assemelhados. O andrógino estaria no centro da Roda? Seria o seu Eixo? Os Quatro animais sagrados são os mesmos que compõem a esfinge? A mais instigante relação parece ser a que une os arcanos 15 e 4. Seria Samech o Imperador do Mundo?
Porque as duas formas de se ligar os arcanos parece fazer sentido? Há mais possibilidades de ligação de pares além destas duas? Poderia liga-los pulando de três em três ou de quatro em quatro? A resposta é sim. Mas um exercício deste nível ainda está para ser feito pela mente humana. Em outro ponto explicarei porque é possível e porque tem sentido!
Para onde Tudo se Dirige
O ponto onde nos encontramos na jornada da humanidade enfatiza as descobertas do último século, a Psicologia, a Física Quântica, a Ecologia (a ideia de Ecossistema), a exploração da Informação sob os auspícios da facilidade da Internet. Sob este ponto de vista, a mais básica das ideias vem da Física Quântica, a de que ao observar um fenômeno influímos sobre ele, o que é chamado de Princípio de Incerteza. Então, se observamos uma dualidade de uma forma a vemos vestida de um jeito e se a observamos de outra forma a vemos vestida de outro jeito. Entretanto, a dualidade continua a mesma e é uma coisa só em um nível de realidade não visível ainda.
O Mundo no tarô Rider-Waite
21. O Mundo
Original Rider-Waite
 
Esta representação leva ao Arcano 21, O Mundo, mais especificamente à Mandorla, Ouroboros, a Serpente que Morde a Própria Cauda. Ela é o próprio círculo do arcano 15. A boca da cobra é a ponta da flecha e esta se fecha em um círculo ao morder a sua cauda, que é a outra extremidade da flecha. A Dualidade ilusória mas palpável no mundo externo ao círculo. O Andrógino é uma união, também, mas, desta vez, dos princípios ativo e receptivo, masculino e feminino.
Os Antigos Vedas chamavam estes princípios Adi e Adupadaka, Endosmose e Exosmose, a capacidade do ser humano de doar energia e receber energia. Dois canais.
Onde está a decadência da humanidade? Querer apenas ganhar no jogo! Querer só receber energia, ter apenas o canal receptivo, endosmótico em atividade. Apenas vampirizar o ambiente. O vício da vitória, do ganho, e sua embriaguez. Consumismo. Sob esta ótica, este é o mundo em que vivemos.
O ser humano é um gerador de energia. Daí o segundo nível da decadência, transformar todos os seres humanos em ovelhas prontas para o abate, para servir de alimento. Dominar, escravizar.
Qual o axioma da Magia? “Ao sacrificar algo, o que se beneficia do sacrifício passa a habitar em nós!”
Se tudo é composto por duas partes é óbvio que ao deixarmos de usar uma parte a outra permanece sozinha e soberana, não é exatamente que ela se “beneficia”, nós é que abrimos mão da outra. A Psicologia Modera chama isso de Transferência ou de Projeção. Para onde vai esta parte da energia que abrimos mão? O ser que serve de foco desta energia passa a recebê-la! E este ser não precisa ser um vagabundo para ficar com nossas mazelas, pode ser um ente dentro do sistema que nos cerca, uma autoridade, quer seja positiva ou negativa!
O próprio Arcano 21 nos dá a solução para o dilema. O andrógino segura uma varinha em cada mão (domina o segredo das dualidades) e está sempre em movimento, um pé depois do outro, um fluxo, primeiro uma parte da dualidade e depois a outra. Ele não se identifica apenas com uma das varinhas e nem anda apenas sobre um dos pés. E, voltamos ao Louco, uma Flecha Oscilante.
Sobre este nível de entendimento dos Arcanos Maiores muito ainda pode ser acrescentado.
Os Arcanos Maiores e a Árvore da Vida
A pergunta básica é: Se os Arcanos Maiores são uma interligação entre os Arcanos Menores de 1 a 10 na forma de uma Árvore da Vida em que estes são as Sefiras e aqueles são os canais de ligação, existe uma estrutura que seja subjacente, oculta, e que produza as 10 sefiras e a própria Árvore da Vida? Se esta estrutura oculta existir poderia servir de referência para a correta colocação dos Arcanos Maiores nos canais já que há várias interpretações diferentes em relação a esta colocação?
Os caminhos da Árvores da Vida e os arcanos maiores
Os caminhos da Árvores da Vida e os arcanos maiores
www.digital-brilliance.com/kab/theatre/GDtarottol.jpg
São essas relações que pretendemos mostrar nesta série de Artigos. A maior parte dessas ideias está implícita na obra de G.O. Mebes sobre os Arcanos Maiores e Menores do Tarot. Esta obra aparece sob a forma de dois livros, o primeiro escrito por ele mesmo versando sobre os Arcanos Maiores e o segundo escrito por um conjunto de discípulos dele sobre seus cursos de desenvolvimento baseados nos Arcanos Menores.
Mesmo Mebes não pretendeu ter tocado o limite de apreensão das informações contidas no conjunto de 78 cartas do Tarot. Entretanto foi mais longe do que Papus, Levi e outros tantos predecessores, deixando um caminho aberto para novas construções e descobertas.

O roteiro de aprofundamento dos temas levantadas aqui, pode ser acessado pelos links que se encontram, abaixo, na barra do Menu:
– O Mapa Estático dos Arcanos Maiores do Tarot
– O Inter-relacionamento dos Três Mundos do Mapa Estático
– O Abismo
– O Mapa Estático Como Holoprograma

Contato com o autor:
Mauro Franco - maurofranco@hotmail.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 10/02/2014
Para continuar a leitura, clique nos links abaixo:
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
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