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23 de julho de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Estiagem num país dividido
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Enquanto os distintos candidatos discutiam quem empregou mais parentes ou causou o maior escândalo de corrupção, a estiagem castigava SP, RJ, MG e GO provocando problemas na produção e nos preços agropecuários, nossa comida. Se ela se prolongar causará inflação, um pouco de recessão e desemprego, além de tumultos por disputas de água. Sobre isto, nem um pio, a casta política continua a viver no mundo encantado.
Estiagem no Rio São Francisco
Rio São Francisco no norte de Minas
Foto: www.portaldeitacarambi.blogspot.com.br
 
O processo eleitoral foi rico em aprendizagem. Na mesa redonda que o Sinarj promoveu há um ano eu, Clélia, Maurício e Gerez, usando métodos diferentes, previmos a vitória do governo. Eu enfatizei a disputa acirrada, o segundo turno e a possível troca de candidatos, colocando tudo por escrito na crônica de março. Nenhuma bola de cristal, apenas astrologia básica e acompanhamento da cena política brasileira. Mas como todo mundo fui surpreendido pela morte de Eduardo Campos e a reviravolta sofrida. Na última crônica, de outubro, analisando os eclipses previ uma pequena margem para o governo.
Um balanço de todo o trabalho revelou o seguinte:
Aspectos longos: são importantes, mas não decisivos. A quadratura Urano/Plutão atravessou todo o mandato e pode ser relacionado ao voluntarismo econômico e centralização política do governo. Netuno em trino a Marte natal sinalizou a manutenção do emprego, renda popular e uma intenção de voto que nunca caiu do abaixo de 35%. O mesmo planeta em quadratura à conjunção natal Lua/Júpiter assinalou a insatisfação popular contra políticos e serviços públicos precários, que continua. Saturno transitando em Escorpião é sempre tumultuado para o governo da ocasião, o que não significa derrota certa, como na sucessão de Vargas para JK.
Morte e reviravolta: Marte em Escorpião, Júpiter se aproximando de Vênus natal e em quadratura a Saturno no céu, o mapa do ingresso solar em Libra e a passagem de Vênus por Libra aceleraram a oposição, a soma da intenção de votos em Marina e Aécio ultrapassou a de Dilma. O segundo turno foi decidido pelos planetas rápidos como já assinalado, o Sol passando por Marte natal não é importante, enquanto o atual calendário eleitoral for mantido isto sempre acontecerá, mas Vênus em Escorpião e Marte em Capricórnio foram decisivos.
Não é possível jogar todas as fichas nos mapas de ingresso solar e muito menos analisá-los sem referência ao mapa natal. Um candidato pode estar com o mapa em ótimas condições e mesmo assim perder: a eleição não é uma corrida entre pessoas, envolve alianças, estado da economia, humor das classes populares etc. Isto pode ser pesquisado no mapa natal do país e nas técnicas preditivas associadas a ele. Astrologia pode ser aplicada a qualquer tema ou objeto, mas é necessário que o astrólogo estude o tema: não dá para acompanhar política e economia por telejornais. É interessante  pesquisar os mapas das convenções partidárias que formalizam as candidaturas e os mapas dos principais partidos, eles podem revelar algo de útil.  Em países constitucionais o Estado e governo são conceitos distintos, a Astrologia precisa distingui-los: o Sol representa o Estado e os valores dominantes enquanto o MC e seu regente representam o governante de plantão, isto vale para a carta natal bem como para os mapas preditivos.
O governo não teve tempo para comemorar, no dia seguinte o mercado financeiro mandou o recado direto: queda expressiva na Bolsa e depreciação significativa do real. Desde 2012 ficou claro que o incentivo ao consumo das famílias tinha chegado ao limite, mas a teimosia do governo arrastou o problema por mais dois anos. Agora a conta está salgada: Orçamento apertado, receitas em queda, dívida pública em expansão, Balanço de Pagamentos muito deficitário, inflação controlada com represamento de preços administrados, investimentos minguados, desemprego à vista, sem contar a estiagem que pode fazer um bom estrago.
O governo não fez uma autocrítica nem parece admitir que um repique inflacionário ou uma estagnação prolongada possam desfazer as conquistas dos últimos anos. Ao contrário, maquiou contas e postergou estatísticas incômodas.
 
O minisgro Mantega
Quem herdará o pepino?
Foto de www.veja.abril.com.br
A continuidade desta política econômica será mortal, uma queda de braço diária entre o governo de um lado e Congresso, empresários e mídia de outro, isto nunca acaba bem.
O futuro
Economia — Infelizmente não há saída indolor. Há necessidade de frear despesas no Orçamento e deixar o câmbio se acomodar. Alguns economistas avaliam que ele estaria bem a 3 reais por dólar, o que daria um piparote na inflação, mas em alguns meses a pressão cederia com a baixa nas importações e equilibrando a balança comercial. O remédio tradicional – aumento nos juros –  foi aplicado  dias depois. De qualquer modo o ajuste exige uma grande precisão para não descarrilar em recessão e desemprego. As despesas do Orçamento estão muito direcionadas, o governo não tem condições de investir, daí a quantidade de obras paradas. É preciso urgentemente atrair capital privado. No decorrer do mandato o pré-sal começará a render e trará alívio à economia e à receita do governo. Júpiter, que rege a casa II do país, estará retrógrado na VI (indústria e trabalho) agravando a situação.
Subsídios e créditos — O governo captou 400 bilhões no mercado a 11% e repassou ao BNDES que os emprestou a 6%, tudo isto vai para a dívida pública e pressiona os juros. O Banco promoveu oligopólios para empresários amigos, quando devia se concentrar em infraestrutura, ciência e tecnologia e crédito às pequenas empresas. O FAT, composto pelo PIS/PASEP e uma das fontes do banco, está deficitário e o gasto com o seguro-desemprego anda exorbitante. A Petrobrás foi usada para estimular a venda de carros, subsidiando gasolina, e está sem caixa e com dívidas prejudicando o investimento no pré-sal. É preciso arrumar tudo isto com urgência. Assuntos das casas VIII e IX.
PolíticaMuitas brigas entre o PT e PMDB nas eleições estaduais e a fatura foi logo cobrada: nada de plebiscito e repúdio ao decreto dos Conselhos Populares. O governo consegue fazer uma coalizão, apesar de menor e instável, mas é difícil promover qualquer reforma ampla nestas condições.  A corrupção na Petrobrás estará em foco, pois atinge vários parlamentares, ex-governadores e gente no executivo. A oposição será mais aguerrida e pode tentar patrocinar (com a mídia) um impeachment, isto levará a tumultos de rua, também possíveis em caso de aumento de tarifas de transporte; Netuno continua a pressionar Lua/Júpiter natal.
Congresso naxional
Plenário do Congresso: lutas intestinas à vista.
Foto: www.dzai.com.br
Bem-estar social — Esta política está tão bem consolidada que até os opositores fizeram propostas para aperfeiçoá-la. Para mantê-la é preciso um orçamento equilibrado e crescendo, mais um motivo para atrair investimento. A universalização da educação fundamental está dada, resta melhorar a qualidade, Urano passará para a casa III durante o mandato. A saúde está bem precária com hospitais arruinados e demoras no atendimento, mesmo com Júpiter na casa VI. A conta do INSS está ficando perigosamente deficitária e ninguém quer mexer no vespeiro, problema da casa VIII. O LOAS também está com despesas crescentes e precisa de fiscalização (casa XII). Os candidatos lançaram boas ideias nas áreas da educação e saúde, mas não serão implementadas antes de um ajuste e retomada de crescimento.
Balança comercial e relações externas Para nosso azar os preços das matérias-primas que exportamos estão em queda, dificultando nossa vida e pressionando o câmbio. Em 2015, Júpiter atravessará a casa VII e talvez a situação melhore, mas Saturno na X embaralha o cenário por quadratura. Muito se falou durante a campanha sobre a necessidade de reatar laços com EUA e UE, do ponto de vista comercial não resultaria em muito, pois uma economia segue estagnada e a outra instável. No aspecto político o Brasil tem tomado posições complacentes com ditaduras, o que deve ser corrigido, mas não se pode renunciar ao comércio, pois metade dos regimes vigentes, nos 190 países, é autoritário ou tirânico, mesmo que eleito. Continuam as atenções com a Unasul e Brics, é preciso voltar a ver a África que ficou um tanto esquecida recentemente. Diversidade comercial e respeito às liberdades civis são necessárias.
Corrupção e violência Nas negociações entre empresas é praxe dar uma comissão de 10% ao comprador, nos livramos de multas pingando trocados nas mãos de autoridades, sonegamos impostos ‘extorsivos’ em nome da sobrevivência comercial ou nas declarações do IR. Na esfera pública elas ocorrem nas licitações e nas ampliações dos contratos em andamento, não seria difícil fiscalizar. A corrupção está tão generalizada na sociedade contemporânea que é difícil extirpá-la, isto exige uma mudança completa de mentalidade que não está à vista quando proclamam que a ganância é boa. O nível de violência é extremado no país, acompanhado de índices preocupantes: estamos nos topos das listas de consumo de cocaína, crack e álcool. A recente explosão de ódio na campanha não ajuda em nada. Um diagnóstico correto da violência é o primeiro passo, o segundo é cortar a simbiose do crime organizado com o aparelho de Estado que cada dia é mais profundo. Corrupção e violência são corrosivas, espalham-se por todo o tecido social e instituem uma guerra civil larvar. Assuntos da casa XII, onde Plutão pousará daqui a poucos anos na companhia de Saturno.
Aspectos astrológicos — Em 2015, Marte passará rapidamente por Netuno ainda em Janeiro. O ingresso solar em Áries será bem tenso com uma lunação e Marte/Urano no signo, é um mês decisivo para o governo. Em abril Marte passa por Saturno natal e ingressa na casa IV (oposição), em maio faz oposição a Saturno no céu. Em Julho, Júpiter ingressa na VII, no mês seguinte faz quadratura a Saturno no céu, em setembro oposição a Netuno no céu e outubro trino a Plutão ativando positivamente o Sol natal do país.
Durante o mandato, Júpiter  percorrerá as casas VII, VIII, IX e X, terminando em Sagitário em quadratura ao Sol natal. São casas que envolvem  as  relações internacionais e econômicas com o exterior, augurando situações favoráveis em alguns momentos e erros de cálculo em outros. É de temer restrições no financiamento externo ao déficit no Balanço de Pagamentos, por conta do futuro aumento de juros nos EUA. Saturno chegará a 11 de Capricórnio quando faz um trino ao Sol  e a sua própria posição natal. Em 2016 faz oposição à Lua/Júpiter e quadratura ao Sol natal. Urano ingressa na casa III e termina o mandato já em oposição ao Marte natal; educação, comunicação, malha viária e imprensa estarão em foco. Netuno termina a 14 de Peixes, oposição exata ao Sol natal. Plutão chega a 20 de Capricórnio fazendo trino ao Mercúrio natal e já ingressando na casa XII.
A progressão secundária assinala algo inédito. Por ocasião da Independência, Marte em Escorpião estava 50 graus adiante do Sol, agora o Sol ultrapassará o planeta vermelho e ambos ingressarão no signo de Áries encontrando Plutão natal, é um momento significativo, pois o próximo será daqui a 360 anos. A configuração é econômica, antes de qualquer coisa, pois está na casa II e Plutão significa riqueza. Isto pode resultar em rendimentos crescentes com o pré-sal, início de um ciclo em que prevaleça a liberdade de empreendimento ou uma oligopolização formidável. O Ascendente progredido alcançará o Poente da carta natal em 22 de Leão. Neste esboço inicial há indícios de mudanças profundas, tanto nos trânsitos sobre o Sol natal em 2018, quanto na progressão.
Notas
Dos eventos surpreendentes desta eleição, destacaria três: a soma de abstenções, brancos e nulos no RJ ultrapassou o número de votos no governador eleito. O ânimo dos cariocas está acido e não é para menos. O segundo deu-se em PE, onde Marina venceu no primeiro turno e, apesar do apoio dela e da viúva Campos a Aécio, Dilma acabou vencendo por grande margem. O terceiro é que apesar de todo o desejo por mudança, os eleitos já têm uma longa folha corrida.
Marina Silva
Plenário do Congresso: lutas intestinas à vista. Foto do blog dzai.
Foto: do blog dzai.
Por falar em Marina, não sei se a fundação de mais um partido será sensata, o país ganharia mais se ela conseguisse mobilizar a amorfa sociedade civil brasileira. Trinta e dois partidos são frutos de nossa exuberância e de dinheiro público (Fundo partidário). Não é o caso de restringir a criação de partidos, mas eles que se sustentem. Na impossibilidade de uma reforma política ampla, pelo menos podiam votar uma cláusula de barreira para o Congresso (o partido deve ter um x% de votos totais) e acabar com as coligações proporcionais que permitem a um candidato bem votado ficar de fora porque a votação maciça do Tiririca arrasta mais uns quatro com ele.
Campanhas de economia e reuso de água podiam ter sido patrocinadas desde o início do ano, mas os distintos governadores preferiram moitar, por conta das eleições, agora estamos nas mãos de São Pedro e do próximo El Niño. Recente reunião de climatólogos indicou o desmatamento da Amazônia como responsável pela estiagem atual, a floresta é uma grande produtora de umidade responsável pelas chuvas no Sudeste. Todo este assunto é de uma negligência criminosa. Seria tempo de estudar astrometereologia, mas diante das atuais turbulências climáticas talvez os preceitos antigos não funcionem bem.
Em 1932, Júpiter em Leão estava em trino com Urano em Áries ativando a Vênus natal. São Paulo entrou em rebelião contra o governo federal e foi derrotado, os paulistas queriam restaurar aquela brilhante oligarquia, mais conhecida como República Velha, nosso orgulho. Que eu saiba, Nove de Julho é o único feriado que comemora uma derrota. Agora estamos com a mesma configuração e novamente o estado está em franca rebelião. Às vezes a Astrologia funciona literalmente.
Pedir verificação de urnas eletrônicas, destituição da presidente por conta de uma reportagem suspeita da Veja e obstruir medidas no Congresso são dramas palacianos, teatro para a plateia. Se a oposição quer estar à altura do desafio tem que aprender a se manifestar nas ruas, temas não faltam: água, inflação, hospitais em ruínas etc. As manifestações de 1/11 em várias capitais são um começo tímido, e pedir a volta da ditadura militar é coisa de lunáticos que não viveram aquele período ou são muito preguiçosos para a política.
Os burocratas têm mesmo ojeriza do povo. Para quebrar o tédio das acusações mútuas, a TV Globo escalou ‘eleitores indecisos’ para questionar os candidatos. Nada de perguntas espontâneas que poderiam ser inconvenientes, leram educadamente questões aprovadas pelos assessores, elas foram pessoais e concretas. E os candidatos despejaram mais estatísticas nos incautos que não podiam argumentar.
Luiz Carlos Teixeira de Freitas, nosso colega e amigo, é astrólogo, analista junguiano e publicitário. Escreveu vários livros, alguns sobre nossa arte. Acabou de lançar um site — www.astrologiaarquetipica.com.br — onde vocês encontrarão artigos e entrevistas com colegas. Está lançando também um curso de Astrologia psicológica online, interessante para estudantes e para quem quer se aprofundar no assunto. Sucesso Luiz.
O SINARJ promove mais uma edição de seu simpósio anual, este ano com a presença de Robert Hand, importante astrólogo norte-americano. Muitas palestras para todos os gostos e necessidades. O programa e preços vocês encontram em www.sinarj.com.br. Fui convidado, mas desta vez não pude ir. Esta crônica é dedicada à brava diretoria que vem fazendo um trabalho de monta pela Astrologia no Brasil.
Contato com o autor:
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo e
estudioso da Cabala: rui.ssbarros@uol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 5/11/2014
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