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24 de maio de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


A tensão planetária relaxa em 2015
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Em 2006, alguns economistas atilados (Roubini e Rajan, p.ex.) avisaram que a bolha imobiliária iria estourar, Saturno em Leão opunha-se a Netuno em Aquário no céu, abrindo uma temporada de aspectos tensos entre planetas lentos que durou até abril de 2014 com a cruz planetária em signos cardinais. Daqui para frente ainda ocorrem quadraturas e oposições de Júpiter e Saturno aos planetas transaturninos, mas nada que se compare à intensidade das configurações anteriores. Muitos problemas continuam reverberando e teremos uma folga até 2020, se as questões não forem abordadas realisticamente a crise adiante será devastadora. Depois de oito anos já é possível fazer um balanço.
Economia — Muitos livros foram escritos sobre a crise e antecedentes, para quem não tem tempo para ler basta ver Inside Job (Trabalho interno”, no Youtube), documentário bem feito com inúmeras entrevistas, não fica a menor dúvida: não houve só euforia com o mercado imobiliário, mas fraude aberta quando bancos recomendavam investimentos aos clientes e apostavam contra. A reunião do G-20 em 2008 evitou uma grande quebradeira e mesmo assim a crise custou 50 milhões de empregos. No ano seguinte Obama tomou posse e nomeou sua equipe econômica com gente antiga envolvida na desregulamentação, além disto, os economistas, jornalistas e agências de avaliação que nada viram antes, continuavam a postos, era um sinal que não haveria mudança substancial, os paraísos fiscais continuam abertos, o mercado de derivativos segue imenso e desregulado, só há um plano para aumentar as margens de capital nos bancos anos à frente.
Protestos na Wall Street
Protestos em Wall Street.
Foto de www.acidblacknerd.wordpress.com
As mesmas medidas aplicadas em diferentes países produziram efeitos diversos. A heterodoxia nos EUA resultou em alívio, mas no Japão a estagnação retornou. Já a ortodoxia da austeridade deu alívio na Grã-Bretanha, mas prostração na eurozona. A intervenção estatal produziu bons efeitos na Bolívia e levou Argentina e Venezuela à breca. Tudo isto revela que discutir abstratamente receituários econômicos é insensato, é preciso ver as condições de cada país.  A concentração de renda e patrimônio, que já era alta antes da crise, aumentou ainda mais e ocupa lugar de destaque nas discussões econômicas, o livro de Piketty, O Capital no século 21 já traduzido, tornou-se um best-seller e o banco Credit Suisse agora publica relatório anual sobre o assunto, abordado em diversas crônicas anteriores. A crise basicamente foi estancada com a absorção das dívidas pelos governos e repassada aos trabalhadores com desemprego, cortes de salários e benefícios sociais.
Política nacional — Ocorreram inúmeras manifestações de protesto e insurreições, a maioria fracassou com exceção de Tunísia, Ucrânia e o Estado Islâmico, todos em transtorno, além da Syriza grega e o Podemos espanhol que nasceram de manifestações. Até agora Plutão levou a melhor sobre Urano, mas com o afastamento deste planeta da quadratura atual, talvez a situação mude. As tiranias e ditaduras pelo mundo resistiram e vimos a ascensão de partidos nacionalistas e xenófobos por toda a Europa. Nas democracias onde o voto é facultativo registrou-se queda expressiva no comparecimento e é de temer que restrições às liberdades civis apareçam para manter a política de ‘enriquecer os ricos’ funcionando. A corrupção se alastrou por todos os cantos do planeta e até mesmo no pequeno e pacato Portugal. Juncker, recentemente eleito presidente da Comissão Europeia, é investigado por ter organizado em Luxemburgo uma grande lavanderia a céu aberto.
Geopolítica — Os EUA continuam disparados na frente em matéria de poderio militar: como as restrições orçamentárias estão diminuindo os efetivos humanos e investem em tecnologias como os drones. A ascensão chinesa na África e América Latina preocupa o governo americano que reforçou sua presença naval no Pacífico. A China ainda não tem uma frota naval. O apoio americano na Ucrânia está empurrando os russos para o colo chinês, o que terá consequências de longo alcance. O mundo islâmico atravessou uma grande crise política em 2011 que ainda não terminou e está em ebulição; a instituição do Califado, por mais transitória que seja, demonstra a fragilidade dos regimes sírio e iraquiano, tensiona a Turquia com a questão curda e empurra a Arábia para um maciço rearmamento. Com a queda dos preços das matérias-primas a América Latina pode viver mais um ciclo de inquietações sociais, bem como a África subsaariana, onde o arrendamento de terras para estrangeiros provoca descontentamento.  A recente queda do preço do petróleo tem também uma dimensão geopolítica, pois enfraquece Rússia, Venezuela e Irã.
Garotos em Zâmbia
Garotos em Zâmbia com bandeiras chinesas
Foto www.cartamaior.com.
Ambiente e clima — Com as economias rastejando, os acordos climáticos foram deixados de lado até agora, quando China e EUA comprometeram-se oficialmente na redução da emissão de gases, o que pode dinamizar o encontro em Paris no ano que vem. Nem por isto a crise amainou, o período registrou eventos extremos de grande envergadura e continuidade, tais como o inverno antecipado no Hemisfério Norte e a seca por aqui. Os prejuízos humanos e materiais foram vultosos. Os oceanos estão cada vez mais poluídos e a pesca predatória dizimou algumas espécies marinhas. Esta é uma questão que não pode mais ser adiada.
Mentalidade e cultura — Aqui reside o nó da questão. “Os recursos naturais do planeta são vastos, compre hoje e pague quando puder, seja feliz o tempo todo, o prazer aqui e agora a qualquer custo, a ganância é boa, só é pobre quem quer, troque carro e eletrônicos todo ano, a maioria sempre tem razão, imitemos as celebridades, seja esperto: minta, fraude e saia impune etc.” Com estas frases vivemos os últimos 30 anos, a recente crise abalou um pouco as certezas, mas ainda persistimos nisto, um caminho certo para a derrocada. No cinema, televisão, música popular e outras artes a violência, estridência e velocidade campeiam, o fascínio por malfeitores e psicopatas é ainda maior. Enquanto estas ideias persistirem o destino está traçado, nossa civilização industrial está com os anos contados!
Perspectivas para 2015
Em março Marte faz conjunção com Urano e quadratura a Plutão, o que intensificará conflitos. No meio do ano Júpiter acelerado fará alguns aspectos rápidos: trino a Urano, quadratura a Saturno, oposição a Netuno e trino a Plutão, mas os aspectos serão duplicados na retrogradação. Saturno faz uma quadratura a Netuno criando confusão nos países onde o Estado intervém muito na economia, este aspecto será intensificado devido à proximidade dos planetas às grandes estrelas, Antares e Fomalhaut. Quatro eclipses ocorrerão no eixo Áries/Libra, o lunar de abril promete com o Sol próximo a Urano.
China — No ano que acaba a China protagonizou a maioria das ações com vastos desdobramentos: os vários acordos com a Rússia, dois bancos de desenvolvimento sediados em Pequim (BRICS e APEC), acordos econômicos e climáticos com EUA, Japão e Coréia do Sul; seu PIB – medido em paridade do poder de compra – ultrapassou o dos EUA. Nem tudo são flores, a transição de uma economia exportadora para uma de consumo doméstico está sendo penosa, a desigualdade social, a corrupção e a poluição alcançaram níveis alarmantes. Júpiter faz uma longa estadia na casa VII, diplomacia e balança comercial, encontrando a conjunção Marte/Plutão em quadratura a Vênus (veja o mapa da China. Este aspecto já apareceu em 2014 e continua, mas podem ocorrer conflitos por Marte/Plutão. Saturno cruzou recentemente o MC, sinalizando mais centralização política no governo e Plutão dirige-se a casa XII: necessidade de um sistema de bem-estar social inadiável e exposição pública das doenças crônicas do país.
 
Cidade de Ordos na China
Ordos, cidade fantasma na China
Foto www.hypescience.com
EUA — Júpiter transitou Câncer e a economia americana emergiu (o que evidencia que este signo é mesmo a casa II do mapa natal), ainda instável. O planeta ainda trouxe problemas no exterior com a volta ao Iraque, instabilidade no Afeganistão, crise na Ucrânia, governo israelense desatinado e China avultando, além dos problemas domésticos com imigrantes ilegais. A quadratura Urano/Plutão estimulou o mesmo aspecto natal entre Sol/Saturno resultando na reemergência dos conflitos raciais. Netuno começa a fazer quadratura e Saturno fará oposição a Urano natal próximo a Aldebaran, é tensão na certa (veja o mapa). Com um Congresso hostil, Obama joga as últimas cartas no que lhe resta de mandato. A alta dos juros especulada pode desorganizar de vez a combalida economia mundial.
Europa — Além da estagnação e ameaça de deflação, os europeus iniciarão um ciclo de problemas políticos que afetam o Executivo (Vênus) da Comissão Europeia. Vários países estão restringindo a entrada de imigrantes e a questão Ucrânia estremece as relações com a Rússia e trazem prognósticos ruins sobre a economia. Júpiter transita o Ascendente Leão e faz oposição ao Sol/Mercúrio/Saturno natais, o que sinaliza questionamentos sobre a própria razão de ser da União e também a grande realização técnica que foi o pouso sobre o cometa (veja o mapa da União Européia).
Rússia — A Rússia sofreu um bocado com as sanções ocidentais: fugas de capital, rublo e preço de petróleo em queda, inflação em alta, sumiço de alimentos e ainda assim permanecem firmes na questão ucraniana, esperando que os conflitos políticos e a economia fraca assegurem a independência do leste (Donbass). É um jogo perigoso que pode desembocar em guerra civil. Putin foi isolado no recente G-20 na Austrália e a inclinação para a Ásia deve se intensificar. Júpiter está no Ascendente Leão,  a retrogradação promete mais pressão, a posição do governo russo é defensiva, mas mascarada por um ativismo com pés de barro (veja o mapa Rússia).
Oriente Médio — No Oriente Médio, depois das pelejas na Faixa de Gaza o governo israelense incrementou a ocupação da Cisjordânia e Jerusalém, revidados por ataques palestinos. Agora países europeus estão dando apoio ao futuro Estado Palestino, mais um problema diplomático para um governo que se isola e quer reformular a Declaração da Independência, tornando os não judeus, cidadãos de segunda classe. Tudo isto om Júpiter em quadratura e Saturno em oposição ao Sol natal. Netuno começa a fazer quadratura a Mercúrio natal (veja o mapa de Israel).
Refugiados sírios
 
O Irã conseguiu uma prorrogação para o acordo nuclear e começa a respirar com inflação declinante, mas o desemprego ainda é alto e o baixo preço do petróleo não ajuda. A ONU declarou que não tem mais fundos para alimentar os milhões de refugiados sírios, a Turquia reluta em mandar tropas para combater o Exército Islâmico já na fronteira e os curdos estão novamente ao deus-dará. O novo governo no Iraque ainda não conseguiu se organizar para banir o EIIL de seu território.
Refugiados sírios, agora sem comida
Foto do site www.rfi.fr
América Latina — Na América Latina, o México recaiu na realidade dos massacres e da corrupção generalizada, exemplificados pelo caso dos estudantes de Iguana e pela mansão da primeira dama. Colômbia, Peru e Chile que vinham crescendo razoavelmente estão sofrendo com  a queda do preço de matérias-primas. A Venezuela dispensa comentário e a Argentina desliza para uma explosão popular com a Lua em Capricórnio recebendo a visita de Plutão e Urano no ano que vem (veja o mapa da Argentina).
Brasil — O Brasil já foi objeto da crônica anterior [Estiagem num país divido]. Resta acrescentar que a escolha da equipe econômica é resultado da necessidade de um ajuste (uma autocrítica na prática), que a estiagem já desidratou o PIB agropecuário no terceiro trimestre e que as investigações sobre a Petrobrás caminham devagar, mas de maneira eficiente. Dilma ainda não pode escolher os novos ministros, pois se arrisca a vê-los na lista dos indiciados pelo Supremo Tribunal Fedederal. Como previsto, os aliados no Congresso cobraram caro a aprovação do decreto sobre a LDO (Orçamento deficitário). Paulo Roberto vocalizou o que já sabíamos: há propinas correndo em todas as licitações brasileiras. A Polícia Federal prendeu os executivos das empreiteiras no dia da conjunção Sol/Saturno em quadratura à Lua/Júpiter no céu. As grandes empreiteiras decolaram com a construção de Brasília, ganharam musculatura e mercados externos a partir da ditadura quando os dinheiros rolavam para todos os lados. Os detalhes vocês podem ler em A ditadura dos empreiteiros, tese de doutoramento de Pedro Henrique Campos (UFF), encontrável na internet (Veja em PDF).
Nuvens
Praias sem fim
Foto de www.rap.genius.com
Como vemos, há conflitos para todos os gostos ou desgostos, todos negociáveis em tese, mas a distensão planetária induz à complacência e negligência e todo o sofrimento dos últimos oitos anos teriam sido em vão. O grande poeta Rimbaud escreveu Uma temporada no inferno logo depois da Guerra franco-prussiana e da Comuna de Paris (1870/1), dois monumentos à barbárie. Descreve detalhadamente os sofrimentos no ar irrespirável da Europa com o positivismo, racismo e hipocrisia generalizada. No final emerge uma bela imagem baseada numa lenda medieval: Às vezes vejo no céu praias sem fim cobertas de brancas nações alegres. Um grande navio de ouro, acima de mim, agita suas bandeiras multicolores sob as brisas da manhã.
Feliz 2015 e boas festas a todos, e paz na terra aos humanos de boa vontade.
Contato com o autor:
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo e
estudioso da Cabala: rui.ssbarros@uol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 6/12/2014
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