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23 de outubro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


  junho.2017
O ataque dos aliens
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Desde 2013 deflagrou-se uma luta mortal entre o velho e o novo no Brasil envolvendo política, economia e cultura. O que se designa por novo aqui é o melhor que podemos verificar nos EUA e Europa Ocidental: igualdade perante a lei, organizações sociais fortes e independentes do Estado, estímulo à produtividade, ciência e tecnologia; distribuição de renda razoável, serviço público eficiente, carga tributária progressiva e um mínimo de seguridade social.
O velho deita raízes no passado e aglutina a maioria dos políticos, empresários, dirigentes sindicais e intelectuais. Os mecanismos são conhecidos e a eles estão habituados. Desde a independência a brincadeira é a mesma: fingir que numa economia dependente seja possível política e cultura de primeiro mundo. Volta e meia isto acaba em crise que refaz os velhos mecanismos com alguma aparência nova ou se recorre aos serviços dos militares. O novo tem poucos e vacilantes adeptos e foi encarnado nos últimos anos por juízes e procuradores, alguns intelectuais e jornalistas, e de maneira confusa pela classe média.
Os Poderes no Brasil - cartum Amarildo
Cartum de Amarildo
No momento os velhos estão com a iniciativa, o TSE absolveu Temer, a direção da Polícia Federal pode ser mudada, em setembro acaba o mandato de Janot e Temer designará o sucessor, tudo que se referir ao sistema financeiro será tratado em sigilo no Banco Central ou na CVM (a raposa tomando conta do galinheiro) e o BNDES financiará a esbórnia dos governadores. Para que a operação Abafa termine em êxito é preciso um acerto com o Judiciário. Júpiter está direto e ingressa na casa 9 (Justiça) brevemente, teremos uma resposta para esta candente questão e com Saturno em retrogradação na casa 11 (Legislativo) os congressistas repassam os últimos lances e fazem contas (Veja o mapa do Brasil). Temer não caiu porque os partidos não chegaram a um consenso sobre o sucessor.
Discute-se a necessidade de uma reforma política, sem dúvida necessária. Mas a questão é mais embaixo. A lei é para todos e eu penso em 200 mil presos sem julgamento, em pessoas assassinadas em volume de guerra civil, nas milhões de pessoas que são diariamente humilhadas nos transportes, no serviço público, em abordagens policiais e em programas de TV. No lixo nas calçadas, nos imóveis abandonados, na horrível paisagem urbana do país. Na incrível boçalidade e criminalidade de políticos, no cinismo de jornalistas etc. Eis aí o fundo do que designei como velho, e não há Judiciário ou salvador da pátria que resolva isto.
No final de junho e início de julho forma-se uma triangulação tensa no céu envolvendo Marte (Câncer), Júpiter (Libra) e Plutão (Capricórnio) é relativamente rápida, mas intensa. O destino de Temer pode ser definido, mas trocá-lo por Rodrigo Maia é mais uma decadência na longa cadeia. Meirelles também aderiu ao faz de conta: a saída da recessão está logo ali, o orçamento do ano será cumprido, os empregos retornarão em breve, a reforma trabalhista será boa para os trabalhadores mesmo com sindicatos fracos etc. A coisa toda beira a psicopatia, pois é dita e reproduzida com toda seriedade como se ele acreditasse nisso por um minuto.  A política econômica é desfigurada a todo o momento no Congresso que promove benesses com a vista voltada para as eleições de 2018. Ele presidiu o conselho de administração da JBS até recentemente, algo que é mencionado na imprensa de passagem.
O influxo do movimento operário engasgou e assim as manifestações tiveram um caráter defensivo. A qualquer momento o processo do tríplex de Lula no Guarujá pode ser sentenciado. Temer continuará sob intensa saraivada de denúncias, a última partiu do empresário meliante numa revista: ele seria o chefe da mais perigosa quadrilha atuando no país (quem não está preso, está no palácio). Para quem acompanha política nenhuma novidade, Temer foi criado no pântano insalubre que é o judiciário paulista, ele tem uma afeição especial pelas Docas de Santos. E com tudo isto, penso que o Congresso não autorizará a PGR a inquiri-lo.
E mundo afora
EUA — Sob um retorno de Marte em oposição a Saturno no céu (veja o mapa dos EUA), Trump fez um tour e deixou um monte de trapalhadas pelo caminho. Desembarcou na Arábia fazendo um chamado ao combate do terrorismo, sendo que os sauditas são os principais financiadores. Para agradar citou o Irã como um dos mais temíveis apoiadores, bobagem, eles apoiam o Hezbollah que nunca atuou fora do Líbano e agora é um partido no parlamento. Para coroar a festa ofereceu financiamento para compra de armas americanas no valor de 100 bilhões. Dias depois o Irã sofreu um atentado do Estado Islâmico e o Qatar foi isolado, ele tem negócios com o Irã e a TV Al Jaze era critica os governos árabes
Trump num encontro com árabes
Trump na dança de espadas árabes
Foto www.sabado.pt
Na passagem por Israel deixou tudo como está, menos mal, a situação ali pode piorar muito.  No Vaticano a coisa foi meio constrangedora em vista das posições que o Papa Francisco tomou recentemente. Finalmente na Europa cobrou grana das nações para a OTAN, atropelou um estadista para uma foto, andou num carrinho de golpe enquanto outros caminhavam. Voltou aos EUA e rompeu com o acordo climático de Paris deixando os europeus a ver navios, a Merkel fez um duro discurso na sequência. De quebra dificultou pontos do acordo que Obama assumiu com Cuba.  O início da presidência ocorreu com Júpiter estimulando a quadratura Sol/Saturno do mapa natal, isto está terminando.
Europa — Os dirigentes começam a perceber que terão que tratar de seus assuntos, começando pela segurança. Depois da Segunda Guerra os americanos providenciaram o essencial militar, liberando os governos de uma despesa e eles construíram toda a estrutura de segurança social. Agora devem arcar o custo e precisam se entrosar no combate ao terrorismo que assola o continente, o que inclui políticas de imigração, integração e informação minimamente articuladas. O panorama político apresenta contrastes.
França —A eleição de Macron foi uma surpresa e maior ainda nas recentes legislativas, quando o partido Em marche  teve uma votação esmagadora mesmo com um nível de abstenção de 50% dos eleitores. Os partidos tradicionais – Republicanos e Socialistas – foram desidratados, a maioria dos eleitos do novo partido nunca tinha participado de uma eleição. E Macron já disse a que veio, o decreto emergencial foi transformado em permanente: agora casas podem ser revistadas sem mandado, pessoas sob suspeita são obrigadas a comparecer diariamente a uma delegacia etc. A reforma trabalhista, proposta por Hollande e repudiada pelos trabalhadores, voltará a ribalta. A Frente Nacional da Le Pen que foi bem na eleição presidencial foi muito mal na legislativa, sinal da fraca ligação de seus quadros com o eleitorado.  Tudo isto aconteceu com Júpiter transitando o Sol e Mercúrio natais, agora avança para a casa 7 (relações exteriores), ano que vem Saturno avança para a casa 10, Executivo (veja o mapa da França). Os franceses vão viver tempos eletrizantes.
Reino Unido — O partido Conservador precisa se benzer, Cameron não precisava chamar plebiscito sobre a permanência na União Europeia, achou que venceria fácil, deu zebra e renunciou. Sua substituta May tinha maioria no Parlamento, mas pensou em chamar eleições para ter mais respaldo na negociação do Brexit, perdeu cadeiras, viu o Trabalhismo crescer e agora é obrigada a fazer aliança com um pequeno partido de extrema direita da Irlanda do Norte. O UKIP que foi fundamental para o Brexit definhou nestas eleições. São efeitos de um retorno de Netuno completado recentemente (veja o mapa do Reino Unido). A situação aqui é oposta à francesa, os velhos partidos ainda estão à tona, bem como na Alemanha. A experiência mostrou na Grécia, Itália e Espanha que novos partidos podem cair no velho jogo muito rapidamente.
Rússia — Em 1986 a economia soviética estava pela bola 7, Gorbatchov pediu um empréstimo que foi negado. Com a queda do bloco o governo norte-americano convidou países para integrar a OTAN, despachou economistas para organizar a incrível privataria com milhares de estatais vendidas a preço de ocasião e na presidência Ieltsin bêbado, mal se equilibrando nas pernas. O resultado final foi Putin, oficial da KGB. Já está lá há 17 anos e se preparando para mais uma eleição. Este ano ocorreram dois grandes protestos contra corrupção, o mais recente em 100 cidades, muitos foram presos, pelo menos não há notícias de assassinato.  Isto vai adiante? No ano que vem Saturno estará em Capricórnio e aflige o Sol do país, regente do Ascendente (veja o mapa da Rússia), um sinal claro de encontro com a realidade. A Rússia é uma grande potência militar, mas não tem população e capital para explorar os recursos naturais da Sibéria, ela é outro ídolo de pés de barro.
Exploração de gás na Sibéria
Exploração de gás na Sibéria
Foto do www.neftegaz..ru
O ataque dos aliens
Li algo espantoso nestes dias, um blogueiro comentando o filme Aliens Covenant, achou-o fraco, pois não tinha sustos como os anteriores. Naturalmente o autor não é dado à reflexão, pois a avaliação revela seu fascínio pela violência e o embotamento de sua vida, precisa ir ao cinema para sentir uma emoção.
A saga Alien (os quatro primeiros filmes) trata de temas absolutamente picantes: o extermínio da humanidade, manipulação genética, clonagem humana, androides rebeldes, uma mineradora criminosa e heroísmo feminino. Bem, só aí há sustos para todos os gostos. Estes temas são a substância da saga, mas não aparecem nas falas, poucas e curtas, das personagens.  Os filmes foram dirigidos e escritos por gente diferente a cada sequência, há quem goste de um e deteste outro. No quarto filme a nave volta à Terra trazendo a simpática criatura que é ejetada e destruída na hora H. Com alívio a tripulação vê uma linda panorâmica de nosso planeta. As coisas deviam ter parado por aí.
Mas não, a imaginação sórdida e apocalíptica dos estúdios tinha criado outro simpático bichinho chamado Predador, os seres humanos não eram páreo para eles, mas o Alien sim. Fizeram dois filmes medíocres cheios de pancadaria, correria e falta de ideias, parecia que a carreira dos Aliens estava esgotada. Mas não, como a bilheteria das sequências da série Guerra nas estrelas foi boa, por que não tentar com Alien?
Nascimento do Alien
O parto do simpático bichinho, hospedado num ser humano
www.magazine-hd.com
E disso saiu Prometheus, os roteiristas caíram no colo de Erik van Daniken e pupilos de Eram os deuses astronautas?  Sobre esta turma não é possível ter ilusões, são adoradores de tecnologia e professam o mais crasso materialismo, transformando o espiritual em carboidratos. Eles se encantam com a possibilidade de termos sidos criados por seres biológicos inteligentes para sermos  escravos. O roteiro do filme é confuso, patético e inverossímil em muitas passagens, a personagem saliente é a do androide que imita sentimentos humanos a partir de velhos filmes que assiste, ele dá o tom. A arqueóloga heroína está obcecada com a questão de nossas origens e por que os Engenheiros que nos criaram agora querem nos destruir, isto porque ela é religiosa, mas mesmo assim é arrastada por esta falsa questão.
Os livros e filmes de ficção científica são ambientados no futuro, mas sempre tratam do presente. Os roteiristas pensam que nós não podemos aguentar muita realidade e usam esta metáfora tola. Todos os temas relacionados acima já estavam em evidência na época da estreia do primeiro filme. Os roteiristas não deixam barato: uma empresa mineradora arrisca a vida dos trabalhadores para trazer um organismo alienígena destrutivo e programam um androide para fazer o serviço, há inclusive uma discussão de direitos trabalhistas no início do filme.
No segundo, um batalhão militar absurdamente boçal é destroçado com facilidade pelos monstros, sobrevivendo uma mulher, uma criança e a cabeça do androide que agora colabora, apesar de fascinado com a anatomia e fisiologia dos aliens. O  terceiro se passa numa mina que é também uma colônia penal, habitada por criminosos execráveis em penitência, o que lembra a colonização da Austrália e alguns projetos de encarceramento de segurança máxima. No quarto, um militar tresloucado recria Ripley e o alien, e paga piratas estelares por cobaias humanos.
Os aliens fazem companhia aos zumbis, vampiros, vírus, bactérias e psicopatas que ameaçam a humanidade e tudo isto remete ao Frankenstein de Mary Shelley, a criatura que sai do controle e ameaça o criador.
O primeiro filme foi lançado em 1979, 22 de junho. O Sol ingressava em Câncer, signo de gestação, e não tinha nenhum aspecto maior com outros planetas. Marte transitava as Plêiades no final de Touro também sem aspectos maiores. A Lua em Gêmeos estava em oposição a Netuno em Sagitário, dois signos de viagens. Vênus em Gêmeos, quadratura a Saturno em Virgo. Os cinco planetas lentos estavam em signos sequenciais desde Júpiter em Leão até Netuno em Sagitário. Naquele ano uma revolução no Irã levou apreensão ao Ocidente e outra subida no preço do petróleo, uma elevação da taxa de juros nos EUA arruinou a economia periférica, especialmente na América Latina, no ano seguinte o povo americano elegeria um ator cinematográfico de segunda linha para a presidência do país, o neoliberalismo e o pós-modernismo estavam saindo do forno.
Evento: Astrológica 2017
Astrologica 2017
No final de julho a GAIA promove sua tradicional Semana seguida da Astrológica. Temas variados para todos os gostos. Camaradagem em alta. Colaboro com estes eventos desde 2005 por várias razões, eis um deles: a história das escolas de Astrologia no Brasil é bem atribulada, a maioria não resiste às reviravoltas da economia, a Gaia alcançou sucesso e estabilidade com profissionalismo e seriedade sob a segura direção de nosso amigo e colega Robson Papaleo com uma equipe de astrólogos e de apoio de primeira. Não custa nada ajudar a manter o pique.
Veja a programação e preços em www.gaiaescoladeastrologia.com.br
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo e
estudioso da Cabala: rui.ssbarros@uol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 19/06/2017
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