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18 de novembro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


  julho.2017
Maria Fulô
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Enxuga o teu pranto de dor
que a seca mal começou.
(Sivuca/Humberto Teixeira, 1950)
Marte e Sol fizeram oposição a Plutão e quadratura a Marte no céu, evolvendo a casa 6 (veja o mapa do Brasil), e deu em condenação de Lula, aprovação da reforma trabalhista, vitória de Temer na CCJ, Aécio recuperou o mandato, Loures e Geddel saíram da prisão. Lula e reforma trabalhista significam que nem mesmo a política conciliatória do PT pode ser tolerada, e que uma ofensiva contra o bolso da maioria da população está a caminho. Como a capacidade de mobilização popular anda baixa é provável que Lula seja condenado e preso. E como a indignação contra a corrupção não leva mais ninguém às ruas, Temer substituiu e comprou deputados na CCJ em plena luz do dia.
Temer ou Maia, seis e meia dúzia: continuo a achar difícil que 342 deputados se disponham a entregar Temer ao STF, muitos deles estão na mesma fila e ainda mais agora que a equipe da PF em Curitiba foi desmobilizada e a nova procuradora é amiga dos aflitos. Urano iniciou uma oposição a Marte do mapa do país e isto durará anos, é sinal de reviravoltas no governo. Diante do cansaço que se instalou, a imprensa estimula a crença que 2018 será um ano cabalístico e uma pessoa providencial virá nos salvar, todo mês publicam pesquisas para eleições futuras com resultados controversos: Lula lidera e Bolsonaro cresce.
Charge de Duke
Charge de Duke
Em www.chargeonline.com.br
O deserto se espraia e não é bonito ou limpo como o Saara ou Gobi, é imundo. Enquanto o teatro político entretém os espectadores, algo esquisito se passa na economia. Naquele tempo pré-histórico quando Levy e Barbosa (2015) tentavam fazer política econômica austera, a dívida pública era a besta que precisávamos abater. Dela lá para cá ela só fez aumentar, tolerou-se déficits públicos, nenhum empenho foi feito para aumentar as receitas e deram aumentos ao funcionalismo público enquanto o desemprego explodia. A dívida pública já não é mais problema, os escribas econômicos nem tratam do assunto, embora o recente aumento de impostos dos combustíveis não nos deixe esquecer-se do assunto. Saiu um recente relatório do IFI mostrando que se nada for feito, o Orçamento entrará em parafuso em 2022, para comemorar o bicentenário. Paralisia de passaportes será o de menos.
Se olharmos mais fundo, vemos que muitos policiais ganham mesada do narcotráfico, muitos juízes vendem habeas corpus e liminares, estes assuntos nem são mencionados, mas querem nos fazer crer que se elegermos X, Y ou Z tudo estará resolvido. E ainda há quem pense que se elegermos um juiz ou procurador será a salvação da lavoura; na realidade seriam engolidos em três meses pela máquina política. Qualquer mudança séria no país requer que esta máquina seja desmontada, mas a grande imprensa se desespera diante desta possibilidade e assim vemos Estadão apoiando Temer e Globo e Veja apoiando Maia, como se houvesse qualquer diferença substancial entre eles, ela existe apenas para o baixo clero na Câmara que vê em Maia presidente a possibilidade de mais negócios.
Os deputados têm até o final de setembro para decidir como serão as eleições daqui para frente. O projeto que saiu do Senado cria cláusula de barreira suave e proíbe coligações com transferência de votos, o que é necessário, mas a principal questão é criar uma dotação no Orçamento para financiar eleições, o que reforçará o poder dos caciques de cada partido que distribuirão a grana. A última foi a emenda que dá imunidade aos candidatos 8 meses antes do evento. É piada pronta.  Parlamentarismo com 25 partidos no Congresso dará em gabinetes que não durarão um ano, é uma instabilidade só.
Sindicalismo brasileiro
Morreu Augusto Campos. Eu o conheci em 1975 quando ele dirigia um pequeno grupo de bancários que fazia oposição sindical. Foi admirável, entre suas características destaco três: a simplicidade (no vestuário, fala, acolhimento), a democracia (aturava com paciência intermináveis discussões de novatos) e a inteligência organizacional. Ganhamos a eleição e tomamos posse em 12 de março de 1979, com o Sol em Peixes em trino exato a Urano em Escorpião; Lua e Saturno conjuntos em Virgem em oposição a Marte em Peixes.
Em pouco tempo o nível de sindicalização passava dos 70%, foram instaladas regionais em São Paulo, em cada agência um contato bancário, boletim informativo diário com tiragem de 100 mil exemplares, candidatos escolhidos em assembleias de cada banco. Aquisição de patrimônio (uma quadra coberta para assembleias, uma sede própria, uma gráfica) que possibilitou em alguns anos adiante a devolução do imposto sindical aos bancários. Preocupação constante com o piso salarial da categoria e na ajuda a outras oposições bancárias no país. Ele foi fundamental para tudo isto e era completamente avesso à publicidade, sempre pedia para atendermos à imprensa.
Augusto Campos (1941-2017)
Augusto Campos (1942-2017)
(Foto: Divulgação/Sindicado dos Bancários
Como tudo era novo trabalhávamos bastante, reuniões com 24 membros sempre se prolongavam e as divergências apareciam. Mas o ambiente era alegre (fazíamos muitas festas e em nossas passeatas havia banda de música e teatro de rua) e a camaradagem era enorme, nisto também ele ajudou um bocado com seu forte sotaque interiorano e senso de humor. Foram tempos de grande aprendizagem. O ministro do Trabalho era o banqueiro Murilo Macedo que decretou intervenção no sindicato em 1983 e apesar disto a Folha Bancária continuou a circular.
Em 1985 houve novas eleições que ganhamos com facilidade, eu não quis concorrer, pois o país voltava à democracia, eu estava me envolvendo com a astrologia e queria estudar mais. Ele foi para a diretoria do Banespa como representante dos funcionários. Neste ano todas as iniciativas acumuladas levaram a uma grande greve de bancários no país com bons resultados. Os dez anos que passamos juntos foram inesquecíveis e fundamentais para mim e os outros diretores e amigos que ainda estão aí em atividade.
Com tudo o que aconteceu a situação do sindicalismo continua precária: a taxa de sindicalização é baixa (menos de 20%), dos 11 mil sindicatos de trabalhadores poucos têm poder de mobilização e negociação, eles representam metade da força de trabalho, a outra metade é informal. A estrutura é absurda e cara: a base é municipal, cada categoria tem sua federação estadual e uma confederação nacional com diretorias indicadas pelos sindicatos, ou seja, um sindicato de um pequeno munícipio tem o mesmo peso de um grande. Os pequenos sindicatos, a maioria, vivem do imposto sindical, daí a grita contra o término do imposto.
É perfeitamente possível fazer um sindicalismo forte: metalúrgicos, bancários, petroleiros e outros fizeram isto sob ditadura. Mas é preciso trabalho cotidiano, formação de lideranças, imprensa própria etc. A estrutura deve ser enxuta e barata, os pequenos sindicatos devem-se fundir e visar à formalização total do trabalho no país.
Mundo afora
Nossa crise não é especial. Em 2008, os Estados socorreram o sistema financeiro se endividando e passaram a conta aos trabalhadores através de cortes nos orçamentos, reformas trabalhistas e previdenciárias. Na América Latina o processo começou depois, mas está seguindo as mesmas linhas. Na Argentina o peronismo foi deposto nas urnas, mas ano e meio depois o governo Macri não entregou o que prometeu e a penúria cresceu e mesmo assim o movimento sindical não consegue a mobilização necessária para reverter o quadro. A Venezuela está em guerra civil aberta e o regime perdura porque o Exército dá suporte e a oposição não consegue atrair parte da oficialidade.
EUA — Continua o caso da interferência russa nas últimas eleições. Sendo Putin quem é e de acordo com as investigações até agora, é certo que os russos sequestraram informações da Clinton e as passaram ao staff de Trump. Há aí duas questões: qual o impacto disto no resultado? Por que a imprensa se sente insultada com o fato, quando o Estado americano interveio no exterior desde 1898 em Cuba e Filipinas e prossegue com isto até hoje?  Em 21 de agosto ocorre um eclipse solar que será total no país. Ele afeta o mapa de Trump no Ascendente com Marte, um impeachment é improvável, mas um problema sério de saúde não será surpresa.
Trump e Putin
Trump e Putin
Do blog História Espetacular.
Enquanto o teatro político entretém os espectadores, a economia apresenta sinais inquietantes. O nível do preço do imobiliário já voltou ao nível de 2006 (início da crise), o índice Dow Jones mais que triplicou em relação a 2009, o ponto mais baixo, o endividamento das famílias e estudantes continua em altos patamares. Os republicanos cozinham uma reforma da saúde que deixará milhões desprotegidos, inclusive idosos. E mais dinheiro para fabricantes de armas para guerras perdidas. O país prepara-se para o primeiro retorno de Plutão e uma oposição de Netuno ao seu ponto original na carta astrológica (veja o mapa dos EUA).
Oriente Médio — A guerra civil síria afeta todos os países vizinhos, alguns têm tropas, outros financiam grupos na luta e finalmente Turquia, Líbano e Jordânia receberam a massa de refugiados. Além disto, EUA e Rússia estão presentes e andaram se batendo, apesar de todos os cuidados. Se há uma região onde tudo pode desandar é aí, um descuido e os sauditas e iranianos podem iniciar uma guerra e isto pode se generalizar. Tudo isto faz pensar em Armagedon, referida no Apocalipse cristão, é o nome da estrada que ligava Megido (norte de Israel) a Damasco, cenário de inúmeras guerras na Antiguidade. Os governantes agem de maneira irresponsável: os turcos compravam petróleo do Estado islâmico e combatem os curdos, essenciais para a derrota do EI. Os sauditas financiam a Al-Qaida e congêneres que combatem Assad, os russos bombardearam Alepo indiscriminadamente matando civis e por vai.
500 anos de reforma protestante
A Igreja Romana foi alvo de duras críticas a partir do século XII com os cátaros. No século XIV o papado foi levado a Avignon, onde ficou sob supervisão dos reis franceses; depois veio o Grande Cisma com 3 papas simultâneos apoiados por diferentes reis, um movimento religioso popular floresceu fora de controle. Wycliffe na Inglaterra e Huss na Boêmia clamaram por reformas. No início do século XVI, o papa estava intervindo nas guerras entre cidades italianas e reformando o Vaticano, precisava de dinheiro e vendia indulgências, uma carta que perdoava os pecados.
No dia 31 de outubro de 1517 (calendário juliano), Matinho Lutero pregou na porta da Igreja de Wittenberg 95 teses criticando a venda das indulgências. Ele era um monge agostiniano angustiado com sua fragilidade, formado em direito e teologia. Nesta data o Sol (Escorpião) estava em quadratura a Netuno (Aquário), Marte (Escorpião) oposto a Urano (Touro), Saturno se aproximava de Plutão e a Lua (Gêmeos) oposta a Mercúrio e Vênus (Sagitário). Roma exigiu uma retratação e acabou por excomungá-lo. As coisas podiam ter terminado aí, mas seguiram em frente, vários eram os motivos.
Lutero e a reforma protestante
Gravura de Lutero afixando as teses
Do blog História Espetacular.
A Reforma foi um movimento contraditório, por um lado mostrava afinidades com o Renascimento (valorização do indivíduo, ênfase na educação, reconhecimento da política como uma esfera autônoma etc.), por outro lado houve um grande chamamento a uma volta às origens (a Bíblia era central e toda a literatura posterior devia ser negligenciada, revisão dos sacramentos, destruição de imagens etc.). É de lembrar que a Alemanha não existia na época, era uma imensa coleção de ducados, principados, condados, marcas e cidades livres frouxamente governados por um Imperador do Sacro Império Romano Germânico. Para os nobres e burgueses, a Reforma era uma oportunidade para se livrarem dos impostos que Roma cobrava e expropriar as terras da Igreja Romana. Em 1524 começou uma insurreição camponesa baseada nas ideias luteranas, mas este pronto criticou-a e apoiou a repressão dos nobres. Chegou a chamar os rebeldes de demoníacos, quando ele mesmo era um rebelde aos olhos de Roma.
Traduziu a Bíblia para o alemão o que induziu à alfabetização do povo, seus escritos começaram a circular pela Europa e em poucos anos já havia protestantes nos Países Baixos, França e Suíça onde Calvino reinava. Escaramuças e guerras entre católicos e protestantes ocorreram até 1648. A religião se tornara um assunto político da mais alta importância e a maioria das igrejas reformadas foi estatizada na Europa, permanecendo assim até hoje.
Diferentes concepções doutrinárias e organizacionais levaram a uma fragmentação enorme, são dezenas de correntes e milhares de denominações. Nos EUA é possível encontrar uma Igreja numa cidade com 40 aderentes, anos atrás uma delas avisou que queimaria o Corão em público, o que ensejou a intervenção das autoridades civis. Isto ocorreu por várias razões: a relação com Deus e a salvação se tornaram assunto individual, todos foram chamados para examinar livremente as Escrituras, o que só podia gerar diversidade. A severidade que vemos em Lutero e Calvino é um sintoma da violência do tempo, a ideia da natureza pecaminosa humana foi exacerbada e a doutrina da predestinação calvinista aniquilava com o livre arbítrio, difundiu-se um terror a respeito dos demônios e inferno.
A doutrina espiritual é pobre, a cosmologia foi deixada no limbo. Por cosmologia deve-se entender o estudo dos três mundos (celestial, intermediário e o terrestre), seus seres e princípios. E quando falta doutrina sobram sentimentalismo e moralismo.  A história das igrejas reformadas é longa e rica: pietismo, iluminismo, romantismo, liberalismo até as recentes televangélicas com suas teologias da prosperidade. O sociólogo Max Weber notou que a receita calvinista de frugalidade, poupança e êxito material como sinal de eleição impulsionou o capitalismo. Esta tese gerou controvérsia, não mais, as teologias da prosperidade nasceram com o neoliberalismo: para os ateus a pobreza é culpa dos pobres, para os evangélicos é resultado da falta de fé. E apesar disto, estas igrejas são locais de sociabilidade para milhões de pessoas que aí encontram solidariedade.
Astrologia e Cristianismo
Nas igrejas cristãs medievais encontramos símbolos astrológicos, São Tomás, Alberto Magno e Roger Bacon comentaram Astrologia, Raimundo Lúlio escreveu um tratado sobre o assunto, Regiomontano e Placidus, dois homens religiosos, elaboraram sistemas de casas astrológicas ainda em uso. De onde vem o problema da Igreja Romana com a Astrologia?
Astrologia e Cristianismo de Luiz Carlos Teixeira de Freitas
Nosso colega e amigo, Luiz Carlos Teixeira de Freitas aborda o assunto em seu novo livro, mostrando que a Astrologia não nega o livre arbítrio nem menospreza a fé em Deus. Para tanto mobiliza recursos teóricos de diversas ciências atuais que ele tem estudado ao longo de sua vida. Só posso saudar esta iniciativa, pois acredito que na Antiguidade a Astrologia fazia parte da Cosmologia, um saber da mais alta importância nos sistemas religiosos e metafísicos.
Mais interessante ainda, o livro foi publicado pelo selo Ideias & Letras dos Redentoristas, uma ordem católica. Até onde eu sei isto é inédito no país e espero que tenha seguimento. Sucesso Luiz! O livro é encontrado nas boas casas do ramo.
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo e
estudioso da Cabala: rui.ssbarros@uol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 24/07/2017
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