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18 de novembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


  outubro.2018
O país do futuro ruma ao passado
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Em 1960, Jânio ganhou a eleição concorrendo por um pequeno partido e prometendo varrer a corrupção. Entrou em choque com o Congresso e renunciou em 7 meses esperando que a população o reconduzisse ao cargo. Não ocorreu e abriu uma séria crise política. Em 89, Collor ganhou concorrendo por um pequeno partido e prometendo combater os marajás. Seu primeiro ato foi bloquear a poupança das pessoas, a hiperinflação não cedeu, os choques com o Congresso se intensificaram, manifestações populares tomaram as ruas do país e ele renunciou  antes que o Congresso o depusesse.
Em ambos os casos Saturno estava em Capricórnio, como agora, e um candidato, por um pequeno partido,  diz  combater a corrupção e está ganhando as eleições. Geralmente Saturno é realista e não fomenta ilusões, por que em nosso caso sucede o contrário? É de notar que ele estava retrógrado no mapa natal do país e que Capricórnio abrange a maior parte da casa 11, Congresso e o futuro. O núcleo dos eleitores de Bolsonaro gira em torno de 20%, valor que as pesquisas captaram por longo tempo. O resto da votação veio do antipetismo e do voto útil diante do naufrágio do Centrão.
O país do futuro ruma ao passado
Moa do Katende, mestre capoeirista, vítima fatal do ódio político.
Do site Extra Online.
Congresso — Há 30 anos Ulysses Guimarães observou: Você acha o Congresso ruim? Espere pelo próximo! Uma quantidade significativa de políticos antigos foi decapitada tentando a reeleição, os filhos de Cunha, Cabral, Sarney, Picciani e Crivella não conseguiram mandatos. Metade do Congresso foi renovada, mas nada garante que para melhor. A bancada da bala aumentou bastante (militares e policiais), a sindicalista e evangélica diminuíram, PSDB, MDB e DEM tiveram reduções enormes, enquanto PP, PDT e PSOL cresceram.  A fragmentação aumentou, agora são 30 partidos na Casa o que aumenta a dificuldade de negociação e preserva a força dos partidos com 30 membros na Câmara.
Os congressistas oferecerão seus préstimos ao governo, mas se Bolsonaro persistir na ideia de entregar ministérios e estatais para não políticos, o clima pode azedar rapidamente. Certamente o Congresso sofrerá pressão do núcleo militar e será temporariamente fechado para reformas se persistir em negar aprovação de leis do governo.
Escalada da ignorânciaA campanha eleitoral contribuiu bastante para adensar a ignorância. Estão chamando ‘marxismo cultural’ os movimentos de negros, gays e mulheres, nascidos nos EUA na década de 1960, como se sabe este país é bastante marxista. Taxar o PT de comunista é outra colaboração ao besteirol, os governos do PT não chegaram sequer ao nível do trabalhismo europeu que nunca toleraria os altos impostos sobre alimentação, água e eletricidade; ou aos baixos impostos sobre lucros e dividendos como o PT tolerou.
Fernando Pessoa
A obra principal do fascismo é o aperfeiçoamento e organização do sistema ferroviário. Os comboios agora andam bem e chegam sempre à tabela.
Por exemplo, você vive em Milão; seu pai vive em Roma. Os fascistas matam seu pai, mas você tem a certeza que, metendo-se no comboio, chega a tempo para o enterro.
Fernando Pessoa
Por outro lado a palavra fascista foi usada amplamente. É um exagero retórico, o fascismo europeu foi um grande movimento de massas que criou milícias paramilitares e grandes partidos. Nada disto ocorreu por aqui, ainda. Teme-se que as milícias se formem rapidamente e comecem a intimidar negros, gays, mulheres, usuários de drogas e outras minorias. A polícia receberá carta branca para agir e matar, mas isto já ocorreu durante a ditadura militar e ninguém disse que ela era um exemplo de fascismo. O autoritarismo brasileiro geralmente despreza a mobilização de massas ou a construção de grandes partidos, foi assim com Vargas (1930/45) e com a ditadura (1964/85).
A última pérola do besteirol: os nazistas e Hitler eram comunistas. É verdade! Por isto eles invadiram e mataram milhões na União soviética para varrer o falso comunismo e implantar o verdadeiro. Obra-prima do humor negro. Eles invadiram porque queriam o petróleo e o trigo, Hitler pretendia transformar Moscou num reservatório de água. Os primeiros que foram encarcerados em campo de concentração: comunistas e socialdemocratas.
Feliz de novo — A campanha petista evoca também o passado, é uma ilusão. O cenário econômico de 2003/10 (doméstico e externo) acabou e deixou agruras que o programa do partido contorna. Os governos do PT conquistaram uma capacidade eleitoral que ainda não terminou, a maior bancada da Câmara, mas perderam a capacidade de mobilização. Neste segundo turno dependem muito de militantes, mas eles foram terceirizados há muito tempo.
Agora é preciso recomeçar e deve ser pela base sindical que assistiu de camarote a deposição de Dilma, as leis trabalhistas do Temer e a prisão de Lula. Onze mil sindicatos com diretorias eternas vivendo do imposto sindical, isto tem que ser reformulado de alto a baixo. Se por um milagre Haddad vencesse não conseguiria governar, basta olhar o Congresso eleito e as ameaças militares.
Cheque em branco — O programa de Bolsonaro é vago e as entrevistas e declarações geralmente contradizem as dadas anteriormente. O que emergiu com maior clareza nas últimas semanas é que o núcleo central da equipe é formado por generais da reserva com apoio dos ativos. O candidato foge dos debates, pois não tem nada a dizer de concreto e cada vez que um assessor anuncia um projeto (autogolpe, extinção do 13º salário, privatização da Petrobrás etc.) ele corre para desdizê-lo. A imprensa colabora intensamente para normalizá-lo vendendo a ideia que a situação é normal e as eleições ocorrem pacificamente. Outros rezam para que ele não leve à prática o destempero verbal habitual.
A entourage de Bolsonaro
A entourage de Bolsonaro
Do site Extra Online
Economia — Brilhou pela ausência na campanha. Já são três anos de déficits superiores a 120 bilhões, com a dívida subindo velozmente para cobri-los. Se isto continuar  por mais alguns anos vamos ter uma situação caótica, ainda mais que agora o cenário externo começa a ficar nebuloso. Sobre isto os dois candidatos desconversam. Tema para futuras crônicas.
A onda acelerou na primeira semana de outubro quando Saturno natal teve oposição de Vênus em Escorpião e quadratura de Marte em Aquário. De quebra, Plutão ficou direto enquanto Júpiter cruzava o MC, o executivo (veja o mapa do Brasil).
Reflexão e memória
Já foram dez anos e mais de 100 crônicas, vi e comentei a onda crescer. Os banqueiros responsáveis pela crise de 2008 saíram ilesos, com bônus milionários e assumiram postos nos governos. A Primavera Árabe fracassou, os governos da França e Alemanha impuseram programas de austeridade draconianos aos gregos, italianos, espanhóis, portugueses e irlandeses e, de quebra, impuseram banqueiros na direção da Grécia e Itália. Partidos nacionalistas, xenófobos e racistas pipocaram pela Europa, governam alguns países (Polônia, Hungria, Itália e Áustria) e participam de vários parlamentos. Depois veio o Brexit e a eleição de Trump.
Esta onda autoritária é fruto do desespero. Quando ficou claro o que era a globalização, na década de 1990, surgiu um movimento crítico de sindicalistas e populares que cresceu bastante até o estúpido ataque jihadista aos EUA em 2001, quando foi paralisado, mas as agruras da globalização continuavam e foram agravadas pela grande recessão de 2008. As pessoas sentiam, e as estatísticas comprovaram, que a concentração de renda e patrimônio crescia enormemente. Então chegaram os políticos com soluções mágicas para restaurar os velhos bons tempos. Ilusão, os mecanismos econômicos que foram construídos não serão desmontados em paz.
A onda bateu na América Latina, os presidentes de Honduras e Paraguai foram depostos sem cerimônia, na Argentina e Chile houve uma direita olver. No Equador, Rafael Correia fez o sucessor que imediatamente se voltou contra o mentor. Subestimei a degradação brasileira e o motivo é óbvio: desejo. Não queria ver o país arrastado para violência e mentiras.
Nestas últimas semanas algumas coisas voltaram à memória com persistência:
O Ragnarok (Destino dos Deuses) escandinavo, compilado no século 13 na Islândia, onde podemos ler: Lutarão os irmãos e se matarão/ os primos cometem incesto/ terrível é o mundo, há grande adultério/ dias de lanças e espadas, se racha o escudo/ dias de tormenta e lobos, se funde o mundo/ não haverá homem algum que a outro respeite.
Segue-se uma batalha cósmica com ruína geral e um novo mundo emerge, verde e limpo, dois deuses renascem e um casal humano é preservado na Árvore Yggidrasil, eixo do mundo.
A profecia da vidente
A profecia da vidente
Do site WordPress.com
Versos do grande poeta W.B.Yeats em The second coming:
Things fall apart, the center cannot hold/ Mere anarchy is loosed upon the world.
      A segunda vinda: As coisas desintegram, o centro não consegue segurar
      Mera anarquia é despejada no mundo.
And what rough beast, its hour come round at last/Slouches towards Bethlehem to be born?
      E que besta rude, chegada sua hora finalmente
      Arrasta-se a Belém para nascer?
E finalmente a ópera Boris Godunov escrita por Moussorgsky em 1872 e ambientada na Rússia do século 17, sobre um evento real. A primeira cena é sensacional, uma obra-prima. A Rússia está sem um czar e quando sobe o pano uma multidão na praça busca informações e murmura. Um guarda exige silêncio e que se ajoelhem para rezar. A seguir aparece um burocrata para informar que Boris reluta em assumir o trono. Uma procissão aparece pedindo clemência a Deus. A multidão se agita, o guarda lhes pergunta se já se esqueceram do gosto do açoite e a cena se encerra com a entronização de Boris. A música é soberba e deslumbrou os músicos europeus, ela reproduz detalhadamente os entreveros populares e seu desamparo, a religiosidade, as ameaças dos guardas. No decorrer da obra ficamos sabendo que Boris assassinou o menino que era o legítimo herdeiro. Uma excelente gravação, com legendas em  francês, vocês encontram em  www.youtube.com/watch?v=hUJAV6UqlaI
Os conservadores ficam estupefatos diante da grande desordem contemporânea: famílias fragmentadas, grande consumo de drogas, crime organizado, rebeldia contra qualquer autoridade, cinismo, ganância e hedonismo além da conta etc. E pensam que podem reverter a situação com cassetetes e juízes. Grande ilusão, pois tudo isto brota das transformações do capitalismo que é irreligioso por essência, mas diante desta constatação recuam e preferem delirar. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Frase repetida a toda hora nos púlpitos das igrejas, mas a maioria dos cristãos pensa que Jesus era poeta e poesia é feita para entreter e embelezar, não deve ser levada a sério.
Seminários de Astrologia MundialRetomamos no dia 27/10, sábado às 14h30 na Gaia – Rua Frei Eusébio Soledade, 74 (SP, próxima ao Largo Ana Rosa) – abordando a ascensão autoritária no Brasil e a crítica situação da União Europeia.
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo.
Mestre em História social (USP) e autor de textos sobre simbologia
(Esoterismo, ciência e sociedade). Pesquisador em Kaballa (Tarô e Qabbalah).
Oferece consultas astrológicas com ênfase nas soluções para todos os temas.
Contatos e informações: rui.ssbarros@uol.com.br ou fone: 11 23679179.
Outros trabalhos seus noClube do Tarô: Autores
Edição: 17/10/2018
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