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11 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


  abril.2017
Violência na potência N
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Sessenta mil mortes por ano é número digno de guerra civil, mas fazer algo a respeito não passa pela cabeça de nenhuma autoridade pública mesmo que uma morte catalise a indignação. A execução da vereadora Marielle conseguiu isto, um assassinato premeditado e profissional, um ataque direto à intervenção do exército no Rio, que agora está acuado para resolver a autoria do crime de qualquer jeito. Como isto será muito difícil, alguns bodes expiatórios devem ser apresentados. Marielle foi assassinada sob um trino de Sol a Júpiter (no MC do mapa do país) e uma quadratura Vênus/Saturno, este em trino a sua posição original, o que nos recorda sempre que a violência faz parte da paisagem na oposição natal Marte/Saturno (veja o mapa do Brasil).
A guerra às drogas é um negócio bilionário, grandes lucros rendem dividendos para políticos e policiais prestativos. Em 50 anos de guerra, o consumo só subiu, drogas sintéticas são lançadas anualmente. A descriminalização acabaria com a violência, mas também com os dividendos e os interessados não querem abrir mão disto, a solução então é propor soluções repressivas. Colocar mais polícia na rua para lidar com o problema é o mais rematado cinismo. A intervenção foi improvisada, se conseguir limpar a polícia já seria ótimo. A execução de Marielle é um aperitivo do que seria uma presidência de Bolsonaro, coisa muito improvável, execuções a granel seguidas de difamações e cobertura completa aos dividendos do tráfico, impunidade certa.
Marielle
Marielle em sua última reunião
Do site Portal Vermelho
STF e Lula — A Constituição garante que um réu será preso após trânsito em julgado, como o país tem 4 instâncias jurídicas, os abonados podem fazer recursos infindos e o processo prescreve. Com a Lava Jato começou a pressão para alterar esta situação, isto demandava uma Emenda Constitucional no Congresso. Ocorre que há uma centena de deputados e senadores citados e, compreensivelmente, eles não votariam tal alteração. O STF resolveu possibilitar a prisão depois do julgamento em segunda instância em 2016, quer dizer: alterou a Constituição! Com o placar apertado de 6X5.
Com o transcorrer da Lava Jato começaram a apontar os abusos cometidos e alguns juízes do STF reviram suas posições, mas a presidente Cármen Lúcia negou-se a levar o tema ao plenário. Diante desta sequência de desvarios surgiu mais um para remate dos males. Agora a questão não é mais abstrata, está personificada em Lula. Se o STF conceder o Habeas Corpus a Lula, receberá uma enxurrada de pedidos de gente que está presa, a questão geral seria resolvida de modo enviesado e atenderia ao desejo de Romero Jucá: estancar a sangria e promover um acordão.
No julgamento do dia 4/4 o Sol estará em quadratura a Marte/Saturno no céu, valores dominantes e severidade em desacordo. A cúpula política e os empresários presos farão toda pressão pela concessão do habeas corpus que abrirá a porta para a debandada. Mas o TSE impedirá Lula de se candidatar, solução perfeita para os candidatos do Centrão.
Eleições suspensas — Há quem acredite que as eleições serão suspensas por um golpe militar ou prorrogação do mandato Temer. Isto poderia ocorrer em duas circunstâncias: saques e depredações nas grandes cidades, promovidas por populares ou criminosos; ou o assassinato de uma autoridade federal. Há um elemento astrológico para pensar a respeito, Urano começa a fazer oposição a Marte natal. Na última vez, Vargas estava aborrecido com a Constituição de 1934 e enviou uma Lei de Segurança Nacional ao Congresso que foi aprovada, um grupo de deputados criou a Aliança Nacional Libertadora para combatê-la. O movimento cresceu, tomou as ruas e entrou em choque com os integralistas. Em meados de 1935 o governo fechou os escritórios da Aliança e prendeu os dirigentes. No final do ano o PCB teve a infeliz ideia de sublevar alguns quartéis, operação rapidamente desbaratada. Seguiu-se uma violenta repressão aos partidos e sindicatos populares que culminou na ditadura do Estado Novo quando Urano alcançou Saturno natal. Pode acontecer que as eleições se realizem e o novo governo deflagre uma intensa repressão contra a oposição nas ruas, pois uma reforma da Previdência bem mais severa que a atual, deve ser proposta no início do próximo mandato.
Com Netuno se opondo ao Sol natal e Plutão ingressando na casa 12, a questão das drogas, presídios e hospitais públicos é crítica. A ver se algum candidato se lembrará de abordar o tema na campanha.
América Latina
No início do século 20, os europeus viam a América Latina como o lugar dos pronunciamentos (golpes de estado) e dos calotes. Indignado com isto, o médico brasileiro Manuel Bonfim, que fazia um curso de aperfeiçoamento na Europa, escreveu América Latina, males de origem, tentando explicar a atual situação pelo tipo de colonização.
A independência foi deflagrada pela invasão napoleônica em Espanha e Portugal e teve como signo astrológico a conjunção Saturno/Netuno em Sagitário, como nos lembrou recentemente nosso colega e amigo Fernando Fernandes; eu adicionaria Urano ao dossiê, ele se aproximava de Netuno. A instabilidade política deveu-se à inexistência de instituições públicas e ao forte localismo – Constituições liberais sem o menor lastro social -, no Brasil a estabilidade só chegou em 1850 depois da Revolução Praieira, em outros países não chegou
Bolivar
Não seguiram a recomendação
Do site Pensador
Os países exportavam grãos, carnes e minérios cujos preços não controlavam, não havia capital próprio para investimento e tomavam empréstimos que não conseguiam pagar. Qualquer crise na Europa ou EUA e as importações minguavam por aqui trazendo penúrias alimentares inclusive. Quando os preços dos produtos exportados subiam davam alívio e alguma esperança. Estes ciclos prosseguiram até a Grande Depressão de 1930, então todos os governos tomaram consciência de sua dependência e patrocinaram uma industrialização por substituição de importações.
Nos últimos 90 anos tivemos vários ciclos de duas políticas econômica básicas. A liberal preconizando orçamento equilibrado, abertura comercial, carga tributária moderada, legislação enxuta e estável, privatizações e incentivo à iniciativa privada. Este ciclo depauperava a população e terminava pela eleição do seu contrário.  A outra pode ser designada por nacional-popular e previa política industrial guiada pelo Estado, criação de empresas estatais, tarifas protecionistas, câmbio moderado facilitando exportações, programas sociais para a população pobre. Esta opção foi levada adiante até por ditaduras militares como no Brasil, Argentina, Peru e no México pelo PRI e geralmente terminava com inflação e grandes dívidas, internas e externas.
Com 90 anos de experiência é cristalino dizer que nenhuma das duas opções resolveu o problema e nem forneceu estabilidade política. No momento, assistimos à dissolução de mais um ciclo nacional-popular que se iniciou com a eleição de Chávez em 1999 e cujo desmonte começou pela deposição do presidente de Honduras e depois do Paraguai. E o que vem pela frente é mais do mesmo. Depois de 200 anos de independência continuamos dependentes de investimentos externos e a crise dos anos 80 iniciou uma desindustrialização precoce na região, regredimos à exportação de matérias-primas.
Enquanto não ocorrer a criação de um mercado de capitais, investimentos em infraestrutura, educação, ciência e tecnologia, continuaremos no círculo vicioso dos voos de galinha do PIB, mercado de trabalho muito informalizado, brutal desigualdade de renda, violência desmesurada, instabilidade política, etc.
O caso da Colômbia
Capitaneados por Bolívar, os colombianos deram o pontapé inicial no processo da independência formando a Grã Colômbia que incluía Venezuela e Equador e que não persistiu. O território da Colômbia tem um relevo que dificulta o transporte e retardou a formação de um mercado nacional.
Mapa astral da Colômbia
Mapa da Colômbia
Calculado para Bogotá, 20 de julho 1810, data da formação da Junta do Governo
Com o Ascendente em Áries e seu regente Marte em Câncer próximo ao FC e ao Sol, o país foi perturbado por uma série de guerras civis durante o século XIX. Conservadores e liberais entravam em guerra, pois quem vencesse as eleições levava tudo e perseguia os opositores, fato sinalizado pela conjunção Saturno/Netuno na casa 8. Exportavam ouro cuja extração minguava, depois tabaco, café e bananas (cfe. casa 2 em Touro regida por Vênus em quadratura a Júpiter na cúspide da casa 2). As guerras prejudicavam a agropecuária, principalmente a guerra dos mil dias (1899/1902), depois da qual os dirigentes procuraram uma conciliação, interrompida pela greve dos trabalhadores da United Fruit (bananas) em 1928, reprimida de modo selvagem, com Júpiter/Urano sobre a Lua natal.
Em 1932, o país já se recuperava da Depressão e o ímpeto da industrialização surgiu. O Estado forneceu tarifas protetoras, algum crédito, câmbio moderado, mas não teve uma política industrial e não criou empresas estatais. Em 1945 a Colômbia tinha uma indústria leve de bens de consumo e via a ascensão de um político liberal carismático, Jorge Gaitán, assassinado brutalmente em 1948 sob a conjunção Saturno/Plutão em Leão que iniciou outro ciclo de violência. A população rebelou-se e quase derrubou o governo, os camponeses tomaram armas e teve início uma guerra de guerrilhas. Pela primeira vez o país teve uma ditadura militar (1953/57). A revolução cubana incendiou os ânimos e na década de 60 se formaram as FARCs e o ELN.
Em 1958, conservadores e liberais formaram governos de Frente Nacional, agora preocupados com a pobreza e a rebelião, principalmente no campo. A situação política se estabilizou, nem os movimentos guerrilheiros conseguiam mobilizar a população para tomar o poder, nem os governos tinham coesão suficiente para eliminar a guerrilha. Na década de 1980, surgiram o narcotráfico, que fazia atentados em áreas urbanas desafiando o poder do Estado, e milícias paramilitares tentando desbaratar a rede de narcotráfico e os guerrilheiros que, para se financiar, passaram a sequestrar autoridades, a fazer mineração e plantar coca.
Mesmo com o desbaratamento dos grandes cartéis e da ajuda do governo norte-americano, o plantio de coca cresceu de 13 mil hectares (91) para 99 mil em 2007, a Colômbia produz 80% da cocaína mundial. Por que camponeses se arriscam trocando seus cultivos habituais pelas plantações de coca que podem ser queimadas a qualquer momento? Porque compensa economicamente. Garcia Marquez expôs em suas obras os paradoxos do país, e um deles é: como foi possível aturar a violência durante 60 anos sem cair numa ditadura militar? Ou ainda: como foi possível, apesar da violência, criar uma cultura popular vibrante?
Outro paradoxo foi iniciar as negociações com as FARCs enquanto Plutão se opunha a Marte natal. No momento Urano cruza o Ascendente do país e em breve Plutão se oporá ao Sol, a paz persistirá mesmo com a atual enxurrada de refugiados venezuelanos e eleições bem polarizadas neste ano?
Mundo afora
USA — Saturno faz oposição ao Sol natal (veja o mapa dos EUA) e uma louca dança das cadeiras teve início na Casa Branca, conselheiros econômicos e de Segurança Nacional, mais o secretário de Estado (Relações Exteriores) foram trocados por personagens mais loquazes e destemperados que o Big Boss, acuar a Rússia, desfazer o acordo nuclear com o Irã e bombardear Damasco são as ideias que circulam agora. Sobretaxas no aço, alumínio e alguns produtos chineses foram propostos ameaçando o início de uma guerra comercial bastante tola, pois aço e alumínio não fazem nem 1% das importações, mas as taxas elevam a inflação. Já a provocação à China pode dar em besteira da grossa, sem contar que uma porção dos produtos importados foi fabricada por multinacionais americanas! O Facebook envolvido no vazamento ou venda de perfis de usuários para uma consultoria eleitoral inglesa. Ao longo do ano Saturno estimulará o Sol, Vênus e Júpiter, sobressaltos na certa.
Trump e May
Trump e T. May em cruzada contra Putin
Do site CNN.
Inglaterra Ainda os resquícios da Guerra Fria com o envenenamento de um espião russo e sua filha exilados na ilha. Imediatamente o governo da pérfida Albion acusou o governo russo pelas mortes através de um potente neurotóxico desenvolvido na Rússia. O assunto é nebuloso, a existência, e sua fórmula, deste agente tóxico foi revelada por um espião russo exilado nos EUA na década de 1990. Desde então ninguém conseguiu sintetizar o composto. A ficha corrida de Putin não inspira nenhuma confiança, no entanto, é preciso cautela, pois a ideia de acuar a Rússia prospera entre os governantes norte-americanos e ingleses desde o imbróglio ucraniano. O assunto também serve para desviar a atenção sobre o Brexit que se arrasta e se revela um desastre para Londres. Isto foi o resultado da passagem de Saturno por Marte natal na casa 7, guerras e relações diplomáticas (veja o mapa da Inglaterra).
Itália — A eleição terminou embolada, nem a direita ou esquerda, nem o 5 Estrelas conseguiram maioria para formar um governo. A maior votação foi do 5 Estrelas, mas a Liga (partido xenófobo) cresceu bastante. Agora muita negociação para a formação do novo governo. A Itália tem uma burocracia incrível, são 5 mil municipalidades, a grande maioria não passa de 15 mil habitantes, com prefeitos, vereadores e servidores públicos. A população envelhece rapidamente, pessoas com 30 anos moram com os pais, pois não conseguem se sustentar. O mapa da Itália é duro, não há um só planeta domiciliado, atualmente Júpiter ronda o Ascendente e dá um tico de esperança (veja o mapa).
Rússia e China — Russos e chineses entronizaram Putin e Xi recentemente. Quando um regime político depende da presença física de pessoas é sinal de ditadura ou que está a caminho de. É um sinal claro de tensão geopolítica, uma reação aos desatinos de Trump, à expulsão de diplomatas russos nos EUA e Inglaterra, à situação da economia mundial que vai ficando turva com as tarifas protecionistas, formação de bolhas nas ações e bitcoins, alta de juros, etc. A temperatura política está aumentando perigosamente no mundo.
Simpósio no Rio — Estive lá poucos dias depois do assassinato da vereadora, mas foi um dia feliz, a diretoria capitaneada por Celisa passava o bastão do Sinarj para Denise, deixando um legado de realizações importantes. O evento foi concorrido e Celisa, Fernando e Maurício fizeram exposições detalhadas sobre nossas perspectivas, inclusive com dados e mapas dos prováveis candidatos. Encontrei amigos, colegas e Wellington, conhecido de tempos atrás, ele é secretário de Paiva Neto, dirigente da LBV, instituição indispensável na filantropia e solidariedade. Para cumular minha satisfação tive a companhia de Maurício Bernis na viagem, estimulante e paciente. Ele é um dos mais bem-sucedidos astrólogos brasileiros, com vasta clientela e o respeito de colegas e estudantes; ficou com o encargo de injetar otimismo no simpósio e o fez eficientemente e com humor.
Passeata no Rio por Marielle
A população carioca enfrenta a obscura violência
Do site Hora do Bico.
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo e
estudioso da Cabala: rui.ssbarros@uol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 29/03/2018
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