Responsável: Constantino K. Riemma
 
11 de outubro de 2008
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TAROT - Tarôs e Baralhos
 
TARÔ LENORMAND
    
Resenha de Constantino K. Riemma
    Mademoiselle Marie-Anne-Adelaïde LeNormand ou Mlle. Lenormand, foi uma cartomante francesa, de grande renome, que também exercia, além de outras artes divinatórias, a quiromancia.
    Teve entre suas clientes Josefina de Beauharnais, esposa de Napoleão Bonaparte. Ela teria previsto, segundo a aura de magia que cerca seu nome, a ascensão e queda do imperador Napoleão, os segredos da imperatriz Josefina e o destino de muitos notáveis de seu tempo.
    Lenormand nasceu em Alençon, na Normandia, segundo ela no dia 27 de maio de 1772, embora os documentos originais indiquem 16 de setembro de 1768. Perdeu seu pai quando tinha apenas um ano de idade e, a seguir, sua mãe, aos 5 anos. Foi enviada a um convento, de onde surgem os primeiros relatos de seus dons de clarividência.
    Estabeleceu residência, em Paris, no turbulento período que se seguiu à Revolução Francesa e, nessa cidade, consolidou sua fama de advinha, de leitora da sorte.
 
Mademoiselle Lenormand, retratada durante sua prisão em Bruxelas
 
 
 

    Em 1807, Mlle. Lenormand leu as mãos de Napoleão e descobriu sua intenção de se divorciar de Josefina. Para afastá-la de cena, ele a mandou à prisão, em 11 de dezembro de 1809, onde a vidente permaneceu durante doze dias, enquanto ele providenciava o divórcio. Esse fato foi o verdadeiro lançamento de sua carreira e ela se tornou a cartomante mais popular de sua época.
    Ativa e desembaraçada, escreveu perto de trinta livros, que continuam inéditos até hoje.
     As informações sobre elas são por vezes contraditórias. É tida como boa estimuladora de outras cartomantes, mais ou menos famosas. Por outro lado, alguns de seus detratores, entre os quais se encontram jornalistas contemporâneos, sustentam que sua lista de clientes eminentes era fruto da fantasia da "Sibila de Alençon" e que suas pretensas profecias eram sempre post-factum...

    Em 25 de junho de 1843, aos 74 anos de idade, foi enterrada em Paris, no cemitério Père Lachaise. Alguns críticos disseram que seu maior dom era a habilidade de amealhar riquezas. De fato, por ocasião de sua morte, deixou uma grande soma de dinheiro.
    
O Pequeno Lenormand
    
    O baralho da "Sibila de Alençon" foi inicialmente publicado em 1828 e compreendia 52 cartas, as mesmas do baralho comum. Esse conjunto foi redesenhado e reduzido a 36 cartas por volta de 1840, presumivelmente pela própria Mlle. Lenormand, à cargo da casa impressora Grimaud.
    O conjunto menor, de 36 cartas, ficou conhecido como o Pequeno Lenormand. Esse "tarot", na verdade, consiste de uma utilização parcial de 9 cartas de cada um dos quatro naipes do baralho comum, num total de 36 cartas. Ela utiliza apenas o Ás e as cartas numeradas de 6 a 10 e, no caso das figuras, deixa o Cavaleiro de lado, como acontece, em alguns casos, com as cartas de jogar utilizadas na França nos últimos três séculos.
 
As cartas são numeradas de 1 a 36, numa ordem própria que não segue nem o critério de naipes nem o da numeração habitual das cartas de jogar
 
    Como já acontecia com o baralho de Etteila, outro famoso cartomente francês, anterior a Mlle. Lenormand, são adicionadas gravuras diversas às cartas numeradas. Trata-se de um recurso que, para a cartomancia popular, facilita a atribuição de significados práticos às cartas. Tal medida, se por um lado dá maior proximidade ao leitor, por outro, delimita e reduz drasticamente sua amplitude simbólica.
    A popularidade do baralho Lenormand, estimulou incontáveis cópias e imitações por toda Europa e, até hoje, é redesenhado.
     
  Nas sucessivas cópias, trocam-se os brazões dos impressores (no alto, à direita) e os desenhos representativos dos naipes do baralho comum são, em alguns casos, substituídos por textos explicativos dos significados das cartas.  
 
         
Exemplos de diferentes reedições de uma mesma carta do Baralho Lernormand
    
O Grande Lenormand
    
    O baralho mais antigo com o nome de Mlle. Lenormand é o “La Sybille des Salons”, com 52 cartas, cada uma delas mostrando um personagem diferente.
    A primeira edição, de 1828, destinada à cartomancia, tem cartas do tipo "a conversa”, "a viagem", "o casamento", num estilo que lembra as modernas histórias em quadrinho.
    Trata-se de um gênero de jogo popular bastante difundido na França, Inglaterra e Alemanha a partir dos anos 1700.
   
    “A Sibila” foi logo redesenhada pelo célebre ilustrador Grandville, Gérard Jean Ignace Isidore, e publicada com mesmo título, por volta de 1840, pela impressora parisiense Grimaud.
    As 52 cartas desse jogo correspondem ao baralho comum, com 13 cartas para cada naipe. Como acontece com o “Pequeno Lenormand”, estão incluídas apenas três figuras – Valete, Rainha e Rei – sem o Cavaleiro do Tarô Clássico.
    Esse baralho tem sido imitado por inúmeras casas impressoras até os dias hoje. Uma de suas versões é a do Tarô Astro-mitológico e numerológico, que muito provavelmente não foi desenhado pela famosa leitora de sorte, Mlle. Lenormand.
   
 
As ilustrações têm cinco partes. No alto da carta está traçada uma constelação e, sob ela, sua representação simbólica. Na parte de baixo, aparecem três miniaturas que falam de outros significados da carta.
 
 
    Algumas versões apresentam 54 cartas, ou seja, duas a mais que as do baralho comum, para representarem a consulente feminina e o consulente masculino.
    
Fontes:
www.giordanoberti.it/html/articoli_lenormand.htm
http://cartomancie.exoteric.fr/le-petit-lenormand/rubrique268.html
http://www.dotpattern.com/gamecard/tarot/index.html
 
 
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