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04 de fevereiro de 2012

Responsável: Constantino K. Riemma


O Baralho Cigano e seu imaginário
Compilação de
Constantino K. Riemma
Antes de os ciganos começarem a instalar seus acampamentos pelo centro-oeste da Europa, em meados do século XV, nobres e ricos de origem italiana e francesa já encomendavam aos artistas de seu tempo, a peso de ouro, coleções das 78 cartas, que hoje conhecemos por Tarô.
Os ciganos, porém, associaram seu nome às cartas de jogar. A razão para isso é as mulheres ciganas incluirem entre suas habilidades a leitura de sorte, em especial a quiromancia, a predição pelas linhas das mãos. Para o nômade, que carrega poucos pertences, é um recurso prático: não exige instrumentos especiais nem providências complicadas. Basta a palma da mão do consulente.
À medida que se desenvolveram as técnicas de impressão dos baralhos, os jogos se tornaram mais acessíveis e muitos ciganos passaram a utilizar as cartas para ler a sorte, já que são pequenas e simples de manejar.
Personagens, sim.
Não existem indícios históricos que indiquem os ciganos como autores do baralho. Entre suas habilidades mais notáveis não se incluiam as artes plásticas, no sentido europeu do termo, nem as técnicas de impressão em papel. No entanto, cabem eles muito bem como personagens dos trunfos.
 
 
Peregrino de São Tiago de Compostela
 
Figuras bem conhecidas
na Idade Média

 
 
"Pilgrim", o Peregrino, vitral da Catedral de Canterbury, Inglaterra.
  Peregrino de São Tiago
de Compostela
  "Pilgrim", vitral da
Catedral de Canterbury
  O Andarilho ou o Louco
"O Filho Pródigo" - Bosch (1450-1516)
 
A figura do cigano, no cenário europeu do século XVI, pode ser mesclado à dos peregrinos, monges-viajantes, ambulantes, prestidigitadores, andarilhos e nômades. Espíritos inquietos, aventureiros, que não conseguem permanecer em suas comunidades de origens. Cabem todos eles, muito bem, como representantes do arcano sem número (0 ou 22) O Louco e do (1) O Mágico
    
 
"Bateleur" ou Prestidigitador num tarô francês.
 
"Bagattelliere", o Prestidigitador num tarô italiano;
 
"Conjurer" ou "Magician" um personagem popular muito próximo ao Mago do Tarô.
 
O Mago em dois tarôs antigos: Bateleur (francês), Bagattelliere (italiano); Magician (inglês)
À direita gravura (1851) de um mágico (conjurer) em plena performance.
O Louco e o Mago podem perfeitamente representar dois momentos do andarilho ou nômade, monge ou cigano. Na estrada: trouxa sobre os ombros. Nas feiras ou nas ruas montam o espaço de encenação, uma combinação fascinante de habilidades e manobras ocultas. É o mágico, hábil, astuto, enganador e muitas vezes trapaceiro.
São os saltimbancos, prestidigitadores, artistas, andarilhos e nômades de todas as espécies, a circularem de vila em vila, levando as novidades, sempre inventando artifícios para garantir a sobrevivência. Entre eles, os ciganos.
Não existem baralhos ciganos antigos
Mesmo pesquisando com toda paciência os livros disponíveis e a Internet não encontraremos exemplares históricos de  baralhos que pudessem ter sido criados ou impressos por ciganos.
A quase totalidade dos anúncios que vemos hoje nos sites e folhetos sobre tiragens e baralhos ciganos, utilizam na verdade as 36 cartas do baralho Petit Lenormand, uma simplificação que a cartomante francesa mandou redesenhar de apenas parte dos arcanos menores originais.
  Para conhecer a história da quiromante e cartomante francesa, Mlle. Lenormand, veja: Lenormand  
  A exposição completa das 36 cartas do Baralho Lenormand-Cigano pode ser visitada na: Galeria  
  Como ajuda aos iniciantes do Baralho Cigano-Lenormand Geraldo Spacassassi fez:  Resumos  
Apenas nas últimas décadas foram criados baralhos intitulados ciganos, que consistem, em sua quase totalidade, no redesenho de imagens ou em adaptações mais ou menos distanciadas das originais 36 cartas do Petit Lenormand, como pode ser conferido abaixo:    
    
Baralho russo, de 1988.
Baralho entitulado como Cigano, impresso nos EUA em 1898.
Um tarô impresso no Brasil evocando imagens ciganas.
  Baralho russo
Impresso em 1988
e 2ª ed. em 2000
  Baralho norte-americano
Impresso em Cincinati, Ohio
Ed. de 1989
  Baralho brasileiro
por Mirian Stanescon
e Antonio Akbar
 
Diante da profusão de jogos de baralhos readaptados e inventados nas últimas décadas, os temas ciganos são mais raros na Europa e um pouco mais comuns nas Américas. No entanto, boa parte das edições são regionais, difíceis de serem encontradas e adquiridas, mesmo com a ajuda da Internet.
Apenas um tarô europeu, redesenhado com motivos ciganos, foi bem divulgado: Zigeuner Tarot ou Gipsy Tarot Tsigane, de Walter Wegmüller. Ele deixou para trás o baralho de Lenormand, com 36 cartas, e reproduziu o tarô completo, com os 22 arcanos maiores e os 56 menores, como se mostra abaixo.
A Torre, A Lua e o Eremita no tarô do pintor boêmio Walter Wegmüller
Cartas do pintor boêmio Walter Wegmüller, executadas entre 1968 e 1974.
O autor do desenho mantém o layout do baralho europeu,
próximo ao de Oswald Wirth, como fica evidente nos exemplos acima.
O Dois de Ouros, o Cinco de Copas e o Quatro de Paus  no tarô do pintor boêmio Walter Wegmüller
No caso dos arcanos menores o pintor recria as cartas de modo mais pessoal,
em particular no caso das cartas numeradas de 2 a 5,
que foram suprimidas no Petit Lenormand.
Os Baralhos Ciganos brasileiros
Se insistirmos pela Internet será possível encontrar alguns baralhos designados ciganos. Quase sempre são reproduções "domésticas" do Petit Lenormand. Mesmo os profissionais que anunciam cursos de Tarô Cigano, utilizam como ilustrações as cartas do baralho Lenormand ou de suas adaptações.
Por outro lado, encontramos entre os usuários desses baralhos uma disposição astral na ligação das cartas com entidades ciganas, quer entre sensitivos sem uma filiação religiosa declarada, quer entre praticantes espíritas e de ritos afro. Trata-se de mais um exemplo de receptividade da alma brasileira. Mais uma expressão de sincretismo que vale a pena estudar.
Cigana das Sete Saias de Maria do Carmo da Hora   Cigana das Sete Saias de Maria do Caramo da Hora   Cigana Indiana de Maria do Carmo da Hora   Pai Casteliano Cigano de Joaquim Vilela
Cigana das Sete Saias (à esq.), Cigano Pablo e Cigana Indiana são pinturas mediúnicas de
Maria do Carmo da Hora;   Pai Casteliano Cigano (à dir.) é uma pintura de Joaquim Vilela
Fontes:   www.flogao.com.br/ciganinhas/profile   e   www.temploacaleno.webnode.com.br
Como é muito comum constatar no Brasil, o baralho pode funcionar como um simples instrumento de apoio, um suporte para os sensitivos e videntes exercerem seus dons. Nesses casos, o significado das cartas não seguem normas predeterminadas e dependem em grande parte do código pessoal do sensitivo ou médium.
Certamente, por esse Brasil afora, ainda existem muitas cartomantes - ciganas e não-ciganas - que, na falta de tarôs mais caros, continuam a utilizar as cartas do baralho comum. Manifestam talentos que não dependem necessariamente das publicações sofisticadas do tarô.
Estudos sobre o povo cigano e suas práticas mânticas
  Ciganos: os intocáveis: informações históricas sobre esse povo nômade (Conhecer).
 
  A cultura cigana: Sarani Barrios, cigana de origem Dohm, relata suas experiências de vida em comunidade. O texto reune entrevista dada para Bete Torii e exemplos durante os cursos de tarô.
 
  A prática cigana com as cartas: Registro dos cursos ministrados por Sarani Barrios sobre a utilização dos arcanos de acordo com a experiência viva do povo cigano.
 
  Slide-show com pinturas e gravuras que retratam cartomantes e ledoras de sorte. Resultado de uma pesquisa de obras de arte, feita com intuito de ilustrar o tema e ressaltar a aura mágica que cerca a cartomancia em geral e as práticas ciganas em particular. Corroboram o ponto de vista que sustenta o Tarot como anterior à chegada dos ciganos na Europa: Ler a sorte
 
Atualizado: maio.11
 
Quatro pilares
Teca Mendonça
Orientação
Cristina Britto
O Momento
Teca Mendonça
 
Tarô Egípcio
Kier - J. I. Janeiro
I Ching
Oráculo Oriental
 
 
Veja lista completa  
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