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13 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


 
Curso de Tarô  por  Joana Trautvetter
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Naipe dos Bastões ou Paus
  Joana Trautvetter  
 
    O Bastão é a influência do Iud superior, o Amor Transcendental, que se reflete em todas as Sefirot da 2ª Família. Bastões ou Paus, portanto, representa o reflexo, nas almas, do Iud, poder do Amor Ativo, descendente, que traz da fonte original da criação, para baixo, o poder e o impulso realizador da natureza humana. O Bastão, como vimos é associado ao elemento Fogo, que na astrologia é entendido como o idealismo, manifestação do Fogo Divino, conexão com nossa origem divinal, que impulsiona a criatura à ação.   O naipe de paus no baralho comum.  
    Movido pela profunda e insondável necessidade de realizar em nossa consciência a concepção original de nossa origem no seio da plenitude de infinita sabedoria, potencial, poder e inteligência superior, o idealismo do Fogo divino é a centelha fundamental que nos impulsiona na senda evolutiva, expressão máxima do Legado do Amor de Deus por todos os seres e pelo universo que emanou de Si.
    A Mônada Divina insufla em nosso veículo animal a construção do corpo adamantino do Ser Humano em sua concepção luminosa original, dotado de consciência, poder criador e infinito amor, emanado como Idealismo e Fé. Este é o elemento transmutador, que nos impulsiona por meio do desejo de afirmação em ideais elevados, onde por fé, por convicção, por necessidade de expansão, a criatura se move para além de si mesma e de seus limites. O Bastão do Poder Divino do Fogo nos insufla a capacidade de Ousar, a primeira virtude hermética. O naipe dos bastões compõe as dez sefirot e os quatro poderes (as figuras), do Mundo da Emanação, Azilut.
    Os Arcanos deste naipe indicam os estágios de desenvolvimento do poder realizador das situações que se apresentam, no prisma de sua conexão com ideais verdadeiros, a única fonte de poder que temos sobre a Terra, o mundo manifesto. Quanto maior a conexão com esta fonte azilutiana, que não é consciente, é como uma chama que arde em nosso âmago, maior o poder realizador que teremos em nossas experiências como filhotes divinos em evolução.
Naipe das Taças ou Copas
    A Taça é o reflexo do primeiro He, que representa a Vida Transcendental. É caracterizado pelo Amor atrativo, de natureza receptiva, em direção à união, entre os seres, entre tudo que existe, e em essência vital, vivido entre nós, nos abre, como o ventre feminino, a Alma Divinal, para o ideal divino, à essência masculina, o Espírito Divinal, que nos fecunda e preenche, cujo impulso é ascendente, flui na direção da  elevação  da  consciência a essa possibilidade criadora e fecunda.
    As sefirot de Taças ou Copas representam o poder receptivo da natureza humano aberto ao influxo divinal,  experimentado  como  amor
  O naipe de Copas no baralho comum.  
do coração e acompanhado do sentimento de plenitude que reporta a alma humana, encarnada na terra, ao estado de êxtase original, quando nos encontrávamos todos imersos no grande útero de Deus, em sua face feminina, nutridora e plenificante. É o Graal da simbologia arturiana, a taça pronta para receber o influxo fecundo do Amor transcendental. Por isso, quando estamos amando, temos a impressão de que estamos vendo a Face de Deus na criatura amada.
    Experimentamos o Amor desde nossos estágios mais primitivos de existência. Por mais que isto tenha o poder de nos causar imensa dor, é por seu intermédio que caminhamos diretamente para a plenitude. Sem o Amor, receptáculo do Idealismo, a alma não tem como evoluir, e em verdade, não existe divindade fora do Amor, seja em que nível se manifeste, se no familiar, fraternal, romântico e no amor pelo trabalho, pelo ideal, pelos mestres, pelo saber, e, finalmente, o Amor Maior, o Amor Compassivo, onde realizamos que somos o outro, somos um com todos e tudo que se passa no seio da humanidade está em nós mesmos. É o sentimento que mais nos eleva, e por isso, sua realização em nosso coração, chacra da união com o divino é o ponto de partida para toda e qualquer experiência real da alma de união com o Pai/Mãe de onde viemos. O êxtase da alma entregue ao amor, quando encarnada, é o reflexo do êxtase do espírito integrado ao Todo.
    O êxtase da experiência de amar no chacra base é o sabor original que a alma encarnada retém, da plenitude do êxtase espiritual, de infinita integralidade, é sua memória, seu legado, o presente que Deus nos deu, para apontar sempre o caminho de volta ao seu coração, o âmago de nós mesmos, seus rebentos no Universo com que Seu Amor nos brindou para evoluir. Somos todos crianças nesse berço, sem exceção. A dor, porém, que essa dimensão evolutiva nos causa, pois que, distantes desse berço, ansiamos por ele e nos arrebentamos nas experiências fenomênicas, envenenadas pelo mental inferior, é responsável por todos os desvios, deformações e patologias, que, por vezes, nos colocam à deriva do verdadeiro caminho evolutivo.
    Mas acovardar-se diante dessa possibilidade de dor, entrar pelo caminho do escapismo, hipocrisia ou represamento do se dar incondicionalmente ao amor é morrer espiritualmente. Fechar-se a esse magnífico, mas assustador sentimento, é romper com Azilut, ao qual não acessamos diretamente, já que o nosso alcance, como almas encarnadas só chega até Beriah, domínio desta experiência, amar. Todo amor é beriático, mesmo que em seus estágios primitivos venha carregado das sombras dos apegos, desejos carnais e de disputas de poder. Estas características se devem ao estágio mais sombrio do desenvolvimento, só surgiram quando entramos no mundo intelectual dos naipes seguintes, quando descemos, ancestralmente, na Árvore da Vida, em direção à experiência manifesta, ao sabor de nossa condução. Nosso Pai/Mãe nos deu Essência, Poder e Condições. Sabíamos que aqui, nos planos densos, iríamos enfrentar sombras insondáveis. Mas escolhemos desenvolver o Conhecimento e nos tornamos os Anjos de Asas Partidas. Agora, só temos um caminho, o de construir nosso retorno à plenitude, portando em nossos espírito o que viemos buscar: a Sabedoria. Mas não há como a realizar, senão abrindo nossas almas ao Amor.
    Ali estão, nos Gládios, mundo mais denso que este, Yezirah, o mental, as defesas, os argumentos, a racionalidade, que, se é fundamental para a evolução, já que formata o conhecimento do bem e do mal, é também onde surgem as espadas que sangram o Coração do Amor, mesmo quando intentam defender o Ideal ou interpretar as frustrações necessárias e naturais do mundo manifesto. Mas o Ideal sem amor é egolatria, fanatismo e, portanto, desequilíbrio astral; o mundo manifesto em Azyiah, a experiência fenomênica, por sua vez, é permeado de todos os clichês astrais formados no mental, que, entre outras coisas, fomenta nossa ilusão egóica do que as coisas devem ser (que o não são, necessariamente) e de todos os anseios e expectativas pessoais, assim como preconceitos e bloqueios profundos, oriundos de nossas heranças inconscientes, provindas de nós mesmos e de nossa ancestralidade, incluindo o inconsciente coletivo.
    A dimensão de experiência da Taça, cujo princípio essencial é a entrega do ego à inundação do amor, tem o poder de um dia, por fim, dissolver todas estas sombras yeziráticas, e assim, vencer o orgulho, o ressentimento, o apego ao eu isolado, a avareza, a avidez e todo o ressentimento ou ódio que possamos portar, por nossas frustrações em nossos egos anchos. Por isso, vale citar o poeta, Milton Nascimento:  ¨Toda maneira de amor vale a pena!”... Eu acrescentaria que todos os custos também valem a pena, todos.
    A esse naipe pertence nosso coração divinal, e em permanente imersão nele, estão os corações dos iluminados autênticos, e todos são expressão da compaixão resultante da abertura, sem limites, acima do racional e fenomênico, a essa dimensão de experiência. É o elemento Água, esposa do Fogo, associado à sensibilidade, à emoção, aos atributos da alma, à receptividade, fluidez e infinda entrega. É a ilimitada possibilidade de desprendimento do ego na fusão com o outro, manifestação de Deus Vivo no coração de cada um.
    É o poder do Calar, é o poder que a alma possui de trazer fundo para dentro de si mesma uma emoção, um sentimento, sem amarras, lembremos que é o mundo superior da experiência espiritual: é a segunda virtude hermética. O naipe das Taças é composto das dez sefirot e os quatro poderes do Mundo da Criação, Beriah. Os Arcanos desse naipe indicam os estágios de experiência emocional das situações avaliadas. Sendo a fonte do poder atrativo, busca a fusão. Mas, ao ser este mundo emanado da Imponderável Plenitude de Deus, no sentido de virmos a desenvolver o conhecimento, é ele que também nos inclina a desejar a experiência fenomênica, a manifestação realizadora, feliz e prazerosa da experiência psíquica e física do Amor.
    Na mitologia grega, quando Afrodite, deusa do amor, nasce do esperma dos testículos decepados de Urano, que caem no oceano; do sangue do deus, que cai sobre a terra, nascem as fúrias. As piores sombras em nossos seres nascem do reverso da experiência de amar, quando se degenera em desejo incontido e desesperançado, que é dor, e esmaga todo aquele que não se abra à transcendência do amor incondicional, o que abre a alma e apenas se entrega. Toda perversão nasce do amor não realizado, da castração do prazer cuja plenitude está no coração, sem negar o poder do chacra base, onde pode se degenerar e obscurecer o coração de ciúme, possessão e prepotência. Desde estágios primitivos, onde surge o apego aos prazeres mais físicos dessa dimensão, aos estágios mais sublimes de fusão, dissolução da ilusão de separação e da realização consciente da mais sublime virtude, onde fomos concebidos, a compaixão, que realiza o “Amar ao próximo como a tu mesmo”, porque o próximo É tu mesmo.
    Nos Arcanos de Taças estudaremos os caminhos do Amor em nossas existências fenomênicas. Em que dimensão o vivemos, em que caminhos o colocamos, como estamos, diante dessa possibilidade de experiência sublime?
Atualizado: fev.09
 
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