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25 de novembro de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


  novembro.2020
EUA: o império recupera o fôlego
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Por muitos anos debateremos: por que os eleitores americanos levaram à presidência (2016) um empresário encrencado, bufão de TV, usuário de fake-news, racista, homofóbico e misógino que quase nada realizou em quatro anos e mesmo assim recebeu quase metade dos votos na atual eleição? Qualquer que seja a resposta é certo que a sociedade está dividida e, pior, armada. No início do ano a reeleição de Trump era bem provável, mas o manejo da pandemia e a posição tomada diante da matança de negros viraram o jogo.
Biden venceu no voto popular e no colégio eleitoral. Foi a maior participação dos últimos tempos, 150 milhões, mesmo assim nem metade da população. A votação foi conturbada e a apuração mais ainda e Trump promete ações judiciais contra o resultado, o Procurador Geral já autorizou investigações, mas toda a mídia de alcance nacional (três canais de TV e cinco jornais) está contra ele e só pode contar com milícias de brancos armados que se acionados resultariam numa guerra civil, o que não pode ser descartado.
Águia caçando drone
Águia caçando drone.
www.youtube.com/watch?v=VN9G_uV3eAo
É um grande alívio não ter que ler e ouvir comentários sobre os diários e desvairados posts do atual presidente, mas a situação está longe de ser pacífica, o país está em pleno retorno de Plutão. A posse, marcada para 20 de janeiro, ocorre com uma conjunção Marte/Urano. Em fevereiro Saturno faz uma primeira quadratura a Urano, no mês seguinte Júpiter alcança a Lua e o MC do país, em maio Saturno retrograda e Júpiter ingressa em Peixes retornando a Aquário pouco depois. Netuno passa o ano estimulando a quadratura Marte/Netuno natal, (veja o mapa dos EUA).
Biden é idoso e anda trocando os nomes de pessoas, talvez não chegue ao final do mandato. A vice Kamala Harris estará a postos, ela é mestiça e foi uma procuradora severa. Os democratas conseguiram manter maioria na Câmara, mas o Senado pode dar dor de cabeça. Os problemas são enormes e seguem alguns deles.
Reagrupação do Império — Trump entrou em conflito com a ONU, Unesco, OMC, OMS e europeus, renegou o acordo climático de Paris e o acordo nuclear com o Irã, impôs pesadas sanções comerciais e tributárias à Rússia, China, Irã Venezuela e Cuba. Biden tentará reativar os laços com as instituições multinacionais e aliados e pode fazer provocações militares contra os países mencionados acima. O estímulo sobre a quadratura Marte/Netuno vai nesta direção e o histórico de chacinas e golpes de estados dos governos democratas é enorme, para ficarmos em Obama: Síria, Líbia, Iêmen, Honduras, Paraguai e Brasil, além de assassinatos semanais por drones, atos criminosos que a mídia julgou aceitáveis. Saturno continua na casa 9 que abarca estes temas.
Economia — A pandemia deixou um rastro de pobreza enorme com crescimento exponencial de sem tetos. As dívidas dos governos, empresas e famílias continuam em alta. A quadratura Saturno/Urano pode abalar o sistema financeiro e bolsas artificialmente valorizadas, Ações iniciais pra combater este quadro serão decisivas e se mal calibradas será um caos. Os projetos para desenvolver energia renovável sofrerão obstáculos poderosos do complexo óleo/gás e carvão. A pressão por saúde pública e controle da polícia também criarão grande pressão.
Tecnologia — O coração da disputa é com a China. As empresas do setor apoiaram Biden e temem divisões forçadas por conta do monopólio que exercem. O mercado europeu será palco de grande disputa, Facebook e Google já tiveram problemas legais no Velho Continente e agora há uma grande pressão para repudiar o 5G da Huawei e o oleoduto russo no Báltico. Os chineses têm vantagem, pois oferecem crédito e infraestrutura, enquanto os americanos oferecem bases militares e FMI. No entanto é bom lembrar que o Estado de Bem-estar europeu só foi possível porque os americanos garantiram segurança militar evitando custos para os europeus, era isto que Trump queria reverter.
Símbolo gráfico do movimento Black Lives Matter
Símbolo gráfico do movimento.
www.educamaisbrasil.com.br
Guerra cultural — Os grandes movimentos da década de 1960 – negro, feminista, gay, estudantil e ambientalistas – geraram uma reação inicialmente liderada por igrejas reformadas com campanhas em prol da vida e da família patriarcal, depois conservadores laicos se juntaram e a reação desembocou no apoio ao partido republicano com Reagan, enquanto os primeiros votavam nos democratas. A este embate ideológico, analistas americanos chamaram de guerra cultural. A partir dos atentados de 2001, os islâmicos foram satanizados e perseguidos. Com a crise de 2008 e a eleição do negro Obama, com sobrenome Hussein, os enfretamentos subiram bem como o número de assassinatos em massa. Sob Trump a exasperação chegou ao auge e pode prosseguir.  Marte novamente direto fará nova quadratura a Júpiter/Saturno e Plutão, a transição será mesmo conturbada até a posse do novo governo.
Especula-se bastante sobre os impactos da eleição no Brasil, assunto para a próxima crônica.
América Latina — É essencial compreender que a colonização desta região foi um empreendimento das monarquias espanhola e portuguesa resultando em uma economia produtora de bens agropecuários e minérios para exportação. A independência dos países não alterou a situação e acrescentou mais um problema, dívida pública externa e moratória. Disto resultou uma sociedade civil frágil com frequentes quarteladas e grande informalidade na economia com índices sociais precários.
A partir de 1930 surgiram regimes nacionalistas e populares que iam bem se a economia mundial estivesse em alta, frequentemente terminavam em inflação e moratória. Alguns países conseguiram mesmo iniciar uma industrialização ainda que tardia e restrita. Quer dizer, a dependência continuava com necessidade de importar capital e manufaturados com tecnologia de ponta, os esforços em ciência e tecnologia foram insuficientes.
Bolívia e Chile acabam de ingressar em novo período, no primeiro os golpistas ineptos viram o MAS (partido de Evo) retornar ao poder em eleição, e no Chile a população, que está na rua desde o ano passado, conseguiu aprovar uma Constituinte com representantes eleitos especialmente para escrevê-la.
O caso da Bolívia escancarou um problema fundamental: depois de uma dúzia de anos governando com bons índices econômicos e sociais, o governo de Evo deixou as forças armadas e policiais intactas, tais como sempre foram. O resultado disto foi que mesmo vencendo a eleição um desfile policial pelas ruas e ameaçando os líderes do governo, foi suficiente para depô-los e obrigá-los a deixar o país.
População nativa em festa na Bolívia
População nativa em festa na Bolívia.
www.youtube.com/watch?v=t8vMdCSSbT4
No Chile a polícia feriu milhares de manifestantes. Não à toa o governo brasileiro recheou o aparelho estatal com militares. Na Venezuela, Chávez promoveu uma reforma em regra nas forças armadas e policiais e o regime resistiu a toda pressão externa.
Alguns analistas sérios pensam que a situação é sem saída e os países da região estão condenados a seguir com renda média, larga pobreza e violência, instabilidade política crônica, e tudo agravado pela informatização em curso que dispensa mão de obra. Nenhum país isolado conseguiria romper a dependência e mesmo o Brasil, com sua grande população e recursos naturais, não conseguiu, na realidade o país está regredindo a uma situação colonial.
Os chilenos terão um tempo tormentoso adiante com Netuno em oposição ao Sol do país (veja o mapa do Chile). Na Bolívia, o MAS voltou ao poder com Urano em conjunção com a Lua natal, mas ano que vem Saturno faz oposição ao Sol, o governo de Arce que se cuide. A cerimônia da posse foi muito bonita com a população vestindo as tradicionais roupas multicoloridas e música andina. Peru e Colômbia também estão em situação conflituosa. A penumbra do eclipse solar de 14 de dezembro atingirá todo o cone sul da América, parte do Brasil incluso.
Pandemia: o mesmo aspecto, dois efeitos
Durante a retrogradação de Marte em quadratura a Júpiter/Saturno/Plutão, a pandemia declinou no Brasil e ascendeu na Europa. Em nosso caso a tríplice conjunção cai na casa 12 (veja o mapa do Brasil), e na Europa na casa 6 (veja o mapa do Tratado da União Européia). As duas casas abordam a saúde, mas isto pode indicar que em nosso caso o sistema hospitalar é mais afetado, as sequelas podem ser maiores e projetos obscuros estão em atividade. Isto só pode ser verificado depois da vacinação.
Em nosso caso a conjunção está em trino a Mercúrio e na Europa pega quatro planetas em Capricórnio. Se somarmos as populações da Espanha, Itália, França e Inglaterra encontraremos 230 milhões de pessoas, em números redondos, com 153 mil mortes. Aqui somos 210 milhões com 160 mil mortes, dados até outubro. Estamos com mortalidade um pouco maior tomando o total da população.
A covid retornou com força na Europa, assola Rússia e Índia, mas com baixa letalidade, e alcançou novos picos nos EUA. Dez vacinas estão em testes finais e há luz no fim do túnel.
História da Astrologia no Brasil
Não é nada trivial realizar esta proeza. Imaginemos que no eixo SP e RJ atuem 150 astrólogos que ensinem, escrevam artigos e livros, pesquisem, ofereçam palestras e atendam, há um número muito maior que apenas atende e só é conhecido pela clientela. Deles quase nada sabemos, mas fazem parte da história do movimento astrológico. Mesmo para o primeiro grupo mencionado há dificuldades, alguns já morreram, outros reconstroem de memória (que quase sempre falha), outros perderam material impresso e alguns poucos se recusam a prestar informações.
Outro exemplo de dificuldade: Omar Cardoso foi uma figura muito importante para a difusão da Astrologia por meio do rádio e TV, merecia algo melhor que o post que fizeram sobre ele na Wikipedia, um primor de negligência. Há uma introdução e uma biografia, com as mesmas informações e as mesmas frases; afirma-se que o astrólogo foi sociólogo e antropólogo e que, além disto, foi o maior astrólogo do país (estamos em pleno concurso de misses!). Como ele era otimista, seu programa era Bom dia, bom dia mesmo e o slogan a cada dia estou melhor, o autor do post conclui que ele aderiu à política positivista, que não existe.
O autor ainda aponta erros nas previsões tais como a morte do Papa Paulo 6, uma concessão do astrólogo à morbidez do jornalismo que sempre quer saber que famosos morrerão no ano que vem. Prognosticou também a Terceira Guerra em 1973 por conta do conflito do Yom Kippur, aqui o problema é a vaidade do astrólogo que afirma sobre assunto que não domina.
Ana Maria Gonzales em entrevista no Estrelando
Ana Maria Gonzales em entrevista ao Estrelando de George Jorge.
www.youtube.com/watch?v=NPb6juKyiOM
Apesar de tudo há dois pontos de partida para quem se aventurar nesta seara, o artigo de Antônio Carlos Bola Harres, A astrologia no Brasil, disponível na internet e o livro de Marilha M. Suzuki, Astrologia no Brasil. São textos incontornáveis. Mas nossa amiga e colega Ana Maria Gonzales queria mais e, anos atrás, começou a entrevistar astrólogos que dirigiram escolas, instituições e criaram softwares astrológicos. Parte do material já está publicado em https://historiastrologsp.blogspot.com
Com as entrevistas o material fica vivo e cativante, pois vai além do mero registro de eventos; no entanto, ainda é muito incompleto. E ficou ainda mais complicado porque ela começou a coletar informações de outros estados e as dificuldades foram maiores. Acompanhei o trabalho e recentemente fiz algumas pesquisas na internet para os estados. Que surpresa desagradável, geralmente há notícias quando ocorrem eventos ou astrólogos dão entrevistas aos jornais, revistas, rádios e tvs, tudo fragmentado.
Recentemente Ana teve um mal-estar e foi internada, me telefonou do hospital uma hora antes de uma cirurgia delicada para falar do site que ela queria colocar no ar ainda este ano. Enquanto esperamos a recuperação, posso receber material através do e-mail abaixo, principalmente com material sobre atuação na mídia, especialmente décadas de 1980 e 90.
A Escola Santista de Astrologia, dirigida por nossos amigos e colegas George e Márcia, promoveu seminários anuais no Sesc de Santos nos anos 1990. Alguns foram gravados e agora eles estão recuperando os cassetes e postando no Youtube. É um trabalho inestimável, pois muita coisa foi produzida nos seminários pelo Brasil afora, mas nada restou com exceção do título dos trabalhos. Compensa um pouco esta perda o site Constelar, dirigido por Fernando Fernandes, que contém uma grande e variado acervo de artigos.
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo.
Mestre em História social (USP) e autor de textos sobre simbologia
(Esoterismo, ciência e sociedade). Pesquisador em Kaballa (Tarô e Qabbalah).
Oferece consultas astrológicas com ênfase nas soluções para todos os temas.
Contatos e informações: rui.ssbarros@uol.com.br ou fone: 11 2367-9179.
Outros trabalhos seus noClube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 10/11/2020
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