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01 de outubro de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


  maio.2020
A Imunização das Almas
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Júpiter, Saturno e Plutão estão em retrogradação até setembro, isto indica tempo de revisão do que foi feito e correção de rumos se necessário. Diante da séria recessão em curso, governantes e pessoas se inquietam e começam a flexibilizar o isolamento pelo mundo, em alguns lugares de forma espontânea e noutros coordenados pelos governos. Isto pode ser precipitado, pois ainda não compreendemos a dinâmica da pandemia e o abre e fecha pode ser o pior cenário. O Sol já atravessou toda a faixa de concentração dos planetas lentos quando recentemente cruzou Urano, o que traz uma aparência de calmaria. O abre e fecha da economia pode aprofundar a recessão.
Os puxadinhos brasileiros
Mandetta acertou e o colapso chegou no final de abril. Nas capitais de Amazonas a Pernambuco os hospitais chegaram ao limite, bem como o Rio. Nos 40 dias à frente do Ministério ele perdeu um tempo precioso, as importações estavam difíceis. E o que custava o governo encomendar luvas, máscaras, aventais, álcool gel e ventiladores a industriais da terra que estavam parados? Além disto, as equipes de saúde foram expostas e atingidas e em alguns lugares há equipamentos, mas não profissionais. É o descalabro da máquina estatal.
O resultado disto é pavoroso, muita gente morrendo nos corredores de hospitais ou em casa, cadáveres empilhados e funerais rápidos; daqui a pouco podemos ver cenas parecidas com as do Equador. Governadores e prefeitos têm sido elogiados pela atuação e promoção de isolamento, mas se tivessem sido mais severos no início da pandemia a situação estaria melhor. A quantidade de carros circulando nas capitais é muito grande, o isolamento atingiu 50% da  população se tanto. Agora nota-se um uso disseminado das máscaras.
A Imunização das Almas - fila para recever auxílio
Fila para sacar o auxílio de 600 reais.
Do site Folha PE.
Os programas econômicos  também estão caóticos. A distribuição dos 600 reais gerou filas e aglomerações, com as pessoas esperando por horas na frente da Caixa sem protesto. O crédito para micro e pequenas empresas não saiu muito do papel, os bancos temem inadimplência e isto terminará em falência e mais desemprego.
Enquanto o SUS está no limite, as UTIs de hospitais privados estão com 50% de ocupação e se recusam a alugar leitos, uma prova da solidariedade social destes empresários, inclusive do novo ministro da Saúde que parece estar perdido. Há muita solidariedade, mas alguns empresários aproveitaram a ocasião e elevaram preços de alimentos básicos, remédios e material hospitalar. Dois secretários de saúde caíram por superfaturamento de ventiladores mecânicos.
Como o noticiário estava macabro e o presidente irritado com o isolamento, ele resolveu dar material para o jornalismo: demitiu Mandetta e apertou Moro até que ele se demitiu acusando BolsoNero (gracias, Economist). Agora a mortandade divide manchetes com a crise política. Moro conviveu, consentiu, se calou diante das insânias do executivo, e finalmente saiu atirando. A PGR pediu ao STF abertura de inquérito para verificar as acusações e deixando aberta a questão de calúnia por parte do ex-ministro, especialmente se ele não mostrar algo substancial além do que foi divulgado.
Imunização das Almas - O Presidente Bolsonaro e o ex-Ministro Moro
O tempo fechou. O Presidente e o ex-Ministro
Do site G1.
Está claro que a troca de chefia na PF destina-se a barrar as investigações sobre os filhos do presidente, que se sente tão acuado, que está dando cargos a velhos meliantes da política brasileira, todos com passagens pela Lava Jato e a quem o presidente prometeu combater. Uma coisa é certa: o Congresso e o STF não farão nada de sério contra ele sem aval dos militares que, por outro lado, até agora não apoiam um regime de exceção. Enquanto isto acontecia Marte cruzava o Ascendente do mapa do país.
Política envolve conflito entre grupos de interesses diferentes, previsões neste caso resultam em cálculos de cada uma das forças em questão, sua organização e alianças, daí nascem cenários com graus variados de possibilidades. O que  ocorreu desde a deposição de Dilma mais parece uma predestinação, tudo que era improvável ocorreu e a população tolera um desatino por dia, parte dela até mesmo apoia. Urano está muito próximo ao Saturno do mapa do país e uma explosão acontecerá, e isto pode envolver violência física, é como se o país precisasse de uma catástrofe para mudar de rumo (veja o mapa do Brasil).
Uma enxurrada de estimativas e previsões
Em meio a milhares de mortes e sofrimentos variados é desconcertante verificar a proliferação de relatórios e artigos tratando destes tópicos. Vamos aos principais:
Economia — Para bilhões de humanos mergulhados em necessidades diárias parece um desatino debater se a queda da economia mundial será de 3,4 ou 3,7%. Tanta discussão por causa de 0,30? A maioria dos humanos nunca ouviu falar do principal mercado da economia atual, o de derivativos que movimenta 600 trilhões US. Basicamente é um mercado de seguros e apostas sobre preços e índices de qualquer coisa. Só isto é um índice da loucura econômica em que vivemos. Uma diferença de 0.30 % pode significar ganhos ou perdas de centenas de milhões de US. Raramente encontraremos artigos na imprensa sobre este mercado. Com o retorno de Júpiter é esperada nova rodada de desvalorização de ativos financeiros. Algumas coisas podem ser ditas sobre a economia real.
A Imunização das Aalmas- navio tanque
Não há mais tanques para armazenar petróleo, agora é no navio.
Do site Gigantes do Mundo.
A recessão será duríssima com muita falência,  desemprego e dívidas. O rescaldo disto durará anos, haverá uma luta feroz para distribuir a conta e enquanto isto persistir o consumo e os preços serão baixos. Bares, restaurantes, shows presenciais retornarão lentamente, o turismo demorará mais. Informatização, automação, e-comércio, cursos online crescerão muito.  Durante este período a intervenção estatal será inevitável e a ideia de renda mínima vai se espalhar. Os governos vão  fomentar a indústria de material médico e hospitalar se forem minimamente prudentes.
Geopolítica — Nacionalismo e protecionismo estarão em alta, mesmo no início da pandemia o governo americano (que enfrenta eleição) responsabiliza a China pela difusão do vírus e fala até em indenização. A rivalidade entre os dois países prosseguirá cada vez mais violenta, pois o governo ianque está determinado a barrar a ascensão chinesa a qualquer custo. A China volta a produzir, mas as exportações serão fracas, dada a recessão dos consumidores americanos e europeus. Será preciso incentivar o consumo popular no país e criar um programa de previdência básico.
A Rússia está com a economia fragilizada por conta da queda do preço do petróleo e o rublo se desvalorizou fortemente, a pandemia chegou tarde e muito intensa. Para manter o papel que desempenhou recentemente no cenário mundial, será necessário trabalho árduo e sangue frio diante de provocações americanas. A tensão no Oriente Médio continuará, mas o petróleo já não será o motivo, barrar a influência do Irã será decisivo, apesar da fragilidade da economia deste país muito castigado pela pandemia. Os países produtores de petróleo sofrerão um bocado até o consumo retornar ao nível pré-crise.
A União Europeia continua a correr riscos de desintegração, pois agora a solidariedade foi pífia. A Itália tem um rosário de queixas e a Espanha está flexibilizando o isolamento em etapas. A influência internacional da União definhará. A África já sofre com o estancamento de investimentos externos e os baixos preços de suas exportações, além das endemias permanentes que assolam o continente. A América Latina sofre dos mesmos males e verá o trabalho informal e precário nas alturas. O Paraguai, Uruguai e Argentina se saíram melhor até agora.
No ano passado, ocorreram muitas rebeliões populares mundo afora, como estará o ânimo das classes populares quando as ruas estiverem repovoadas?  De todos os livros publicados sobre o assunto o melhor é reler um clássico escrito no século 16, A servidão voluntária de E. de la Boètie investiga por que as pessoas toleram tiranos e regimes tirânicos. O tema é atualíssimo, nas últimas décadas a inoperância de organismos populares (partidos, sindicatos e associações) é a grande questão para entender nossa situação.
Depois do fim do mundo
Alguns temas que eram muito discutidos recentemente ganharam proeminência, são eles: a invasão de privacidade, a vigilância estatal sobre a população, o controle da saúde de cada indivíduo. O precursor nestes temas foi Michel Foucault com Vigiar e punir e Microfísica do poder, volume que reúne artigos sobre biopolítica. Pela segurança e sobrevivência as pessoas estarão dispostas a abrir mão de algumas liberdades? Agambem e Harari são dois autores que debatem o tema. Adultos terão que portar cadernetas de vacinação? Se um chip for implantado em cada pessoa para melhor controle de sua saúde, quem usará as informações?
Outro tema que a crise de 2008 colocou em pauta é a desigualdade econômica ou, em outros termos, a concentração de capital, renda e riqueza. Há consenso que aumentará e a multidão de pobres receberá novo contingente.  Outro aspecto da questão é a discussão sobre a quarta fase da revolução industrial e a destruição de várias profissões.  O que fazer com eles: promover a renda mínima ou deixá-los à misericórdia de Deus?
A pandemia trouxe uma grande solidariedade. Pessoas doaram dinheiro, comida, tempo para cuidar, tempo para produzir entretenimento gratuito etc. Muita gente pergunta: isto vai perdurar, o pós-pandemia será mais solidário e equitativo? As pandemias e catástrofes do passado mostram que não. É interessante ler ou ouvir ‘quando voltarmos à normalidade’ como se o mundo das últimas décadas fosse normal a qualquer título. O cinismo dos governantes, trilhões investidos em apostas, poluição ambiental, alto consumo de drogas, todo tipo de violência, se isto é normalidade o melhor é manter distância.
Imunização das Almas e o Bebê de Rosemay
Mia Farrow descobre quem é seu filho
Do site www.classicmovietreasures.com
Há uma imaginação apocalíptica no Ocidente que começa em 1968 com o filme O bebê de Rosemary (Polanski)  prossegue com a Profecia e uma multidão de filmes com vampiros zumbis e psicopatas, vários tratam de ameaças letais da natureza ou de alienígenas, ameaças sempre contornadas por bravos heróis americanos brancos. No entanto, o mais impressionante são os documentários sobre pessoas vivendo sozinhas em ambientes inóspitos no Alasca ou no interior dos EUA. Elas estão treinando para viver depois do colapso.
Esta imaginação não é puro delírio, pois algo está mesmo acabando: a civilização urbana e industrial dos últimos 250 anos, ela é insustentável. Isto para ficar num nível de explicação do mundo sensível. Também na cosmologia védica estamos no final da Kali Yuga que começou em 3102 AC. A sensação de um final também apareceu em alguns rabinos que asseguram que o Messias chegou e vive em Israel, eles são geralmente reservados e avessos a sensacionalismo o que torna a afirmação ainda mais contundente. A pandemia é grave e mesmo assim é apenas um ponto numa linha, é um processo de destruição que começa na Primeira Guerra e ainda prosseguirá por um tempo. Para resistir é preciso ter a alma imunizada.
Centenas de laboratórios pesquisam o Coronavírus em busca de uma vacina. Agora já foram identificadas as proteínas que facilitam a invasão das células humanas, um passo crucial para uma terapêutica eficaz. Com tanta gente trabalhando e um pouco de sorte torcemos pelo sucesso.
*   *   *
Esta crônica é dedicada à memória de Marco Aurélio, nosso colega e amigo. Trabalhamos na mesma empresa e ele foi um arquiteto dedicado e criativo. Astrologia esteve entre seus campos de estudos, ele foi um pesquisador e explorador de círculos iniciáticos.
Marco Aurélio Fernandes e a capa do seu livro Faca no Coração
Marco Aurelio Fernandes e a capa do seu livro de poemas, crônicas e contos
A obra pode ser adquirida em: www.riemmaeditora.com.br/produto/faca-no-coracao
Tive o prazer de revisar sua coletânea de contos e poemas, Faca no coração, que revela talento literário e um humor ferino. Nos últimos anos suas condições físicas decaíram e andava com dificuldade por conta de problemas na coluna. O libriano sucumbiu a complicações renais. Até mais ver meu amigo.
 
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo.
Mestre em História social (USP) e autor de textos sobre simbologia
(Esoterismo, ciência e sociedade). Pesquisador em Kaballa (Tarô e Qabbalah).
Oferece consultas astrológicas com ênfase nas soluções para todos os temas.
Contatos e informações: rui.ssbarros@uol.com.br ou fone: 11 2367-9179.
Outros trabalhos seus noClube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 07/05/2020
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