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14 de agosto de 2022

Responsável: Constantino K. Riemma


Os donos do país estão divididos
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
As duas manifestações ecoaram datas importantes na história do país, a do dia 13 o comício da Central no Rio em 1964, a gota d’água para o golpe militar, e a de 15 evoca o fim do ciclo militar e o começo da redemocratização. As do dia 13, promovidas pelos sindicatos, MST e estudantes; foram pequenas nos vários estados e maior em SP com uma agenda confusa. As do dia 15 foram maiores e com destaque para SP com mais de meio milhão. Os black blocs não apareceram. O governo despachou dois ministros do PT para uma coletiva, reiteraram tudo que vem sendo dito. Não chamaram nenhum aliado, não tocaram no desastre da Petrobrás, o dilmismo vai parecendo um autismo, cada vez mais.
Com Saturno estacionando para a retrogradação e a última quadratura Urano/Plutão seguidos por um eclipse e ingresso solar mostrados na última crônica (veja), vamos ver turbulência aguda até maio quando Marte cruza a Lua/Júpiter do mapa natal brasileiro. Um tobogã nos aguarda até o eclipse lunar no início de abril.
Manifestações no dia 15 de março em São Paulo
Manifestação no dia 15 de março em São Paulo
Foto em http://noticias.bol.uol.com.br
As três crises – política, econômica e judicial – confluíram e a Petrobrás é o denominador comum. Para cumprir a política de contenção da inflação a empresa arcou com o prejuízo da diferença de preços entre o exterior e o doméstico. Fez investimentos caros e equivocados, agora amarga uma dívida colossal e tem que reduzir custos e vender ativos. Além disto, foi uma das fontes de financiamento dos partidos da base aliada do governo. Fundada sob uma conjunção Saturno/Netuno, agora recebe uma quadratura destes planetas no céu que pressiona também a Lua/Júpiter do mapa natal do país. Os conflitos PT/PMDB vêm de dois anos atrás e se acirraram no início deste, azedando completamente com a inclusão de Calheiros e Cunha na lista do Lava Jato.
Os parlamentares que os elegeram para dirigir as casas legislativas sabiam perfeitamente que os nomes tinham circulado no noticiário como suspeitos de beneficiários de propinas. A eleição foi uma operação de blindagem como tudo o que disseram depois, acusando o executivo de interferir no trabalho de Janot (procurador). Se levassem isto a sério teriam que pedir o impeachment de Dilma, pois o ato seria ilegal. Na realidade o STF autorizou abertura de investigações sobre os políticos e isto vai longe, ameaçando atravessar todo o segundo mandato. A CPI recentemente aberta é um teatro para dar alguns segundos de estrelato na TV, nenhuma empreiteira será chamada, elas não deram dinheiro nenhum, os políticos também não receberam, conclusão: Cerveró, Paulo Roberto, Barusco e Duque assaltaram os cofres da Petrobrás por diversas vezes e ninguém viu. O que o Congresso diz em alto e bom som é que só a Comissão de Ética pode investigar e cassar mandatos de parlamentares, o que é uma subversão total da Constituição.
Entre os muitos abacaxis que é preciso descascar está o caso da Petrobrás, sua linha de fornecedores de bens e serviços pode chegar a um milhão de trabalhadores em risco. As empresas estão com dificuldades de caixa e não conseguem créditos, algumas estão em concordata e já começam a despedir. O complexo de petróleo e gás é responsável por parte significativa do investimento corrente do país que já anda bem baixo. Daí o desespero para arrumar um acordo de leniência com as empreiteiras e créditos junto aos bancos estatais.
Trabalhadores demitidos
Trabalhadores demitidos na Comperj em Itaboraí
Foto em www.gazetalitoral.blogspot.com.br
Um juiz achou por bem custodiar e usar um carro apreendido de Eike Batista, um Congresso empossado em fevereiro se concedeu regalias no meio de uma recessão e o executivo indicou uma pessoa da cozinha do governo para limpar a Petrobrás. São os donos do país e estão acima da lei e do bom senso, agora se desentenderam e paralisam a nação que vai em direção a um grande transtorno econômico. O Congresso pensa que os ajustes propostos pelo executivo são grandes e os recusa ou quer alterá-los, não se dá conta que o ajuste acabará vindo pelo mercado com inflação, alta do dólar e dos juros, e desemprego. Se quiser, o executivo pode aumentar alíquotas de alguns impostos sem consultar o Congresso, ou fazer um corte profundo no Orçamento pegando educação e saúde também. Numa situação destas, normalmente seria o executivo que conseguiria recompor a situação, mas sua fragilidade atual impede tal saída.
‘Tirar Dilma, e depois?’ Perguntou recentemente FHC. Dar o poder a Michel Temer e rezar para ver como fica. Um processo de impeachment no Congresso é improvável, pois o PMDB bem sabe o pepino que o aguarda e, pior, as fontes de financiamento (propinoduto) estão provisoriamente fechadas. Para a oposição resta a rua e continuar a pressão até formar um governo de união nacional ou desembocar numa destituição da presidente. Neste caso por que não levar as coisas a sério, aproveitar a ocasião e liquidar o capitalismo de compadres? Diante de tal perspectiva a casta política recua horrorizada, acabaria o financiamento de seu trem de vida.  O que acontece hoje no Brasil confirma totalmente as teses de Raymundo Faoro em Os donos do poder, o que ele chama de patrimonialismo e capitalismo politicamente orientado eu simplifiquei para capitalismo de compadres. Trocar pessoas e deixar as regras do jogo intactas é tonto, o jogo será reiniciado tão logo a poeira tenha baixado.
O país passará por uma profunda transformação em breve com Marte e Sol deixando Peixes e ingressando em Áries na progressão secundária (técnica que usa a equivalência um dia/um ano), que é interessante para acompanhar as questões de médio prazo. A passagem do Sol em Peixes começa com a redemocratização e tem por eixo a Constituição cidadã: educação e saúde universais, aposentadorias para trabalhadores rurais, benefícios sociais para deficientes e pessoas em situação fragilizada, um esboço do Estado de bem-estar europeu. Para manter isto funcionando é preciso uma receita tributária robusta e aplicada eficientemente, o que não é o caso brasileiro. Ano após ano, muito investimento público foi cortado para atender estas demandas. O FAT, que financia o BNDES e o seguro desemprego, está deficitário, bem como o INSS. Tudo isto levou a uma elevação da dívida pública que agora entrou numa zona desconfortável e a elevação da Selic só faz aumentar o montante e pressionar ainda mais o Orçamento. Além dos ajustes enviados ao Congresso, o executivo cortou no FIES, Pronatec, e no programa de móveis do Minha casa. Com recessão a receita diminui e outros cortes serão necessários. Naturalmente haverá um intenso conflito em torno destas questões que podem ser resumidas assim: mais impostos ou cortes nos programas sociais. E há gente que entenda que será preciso diminuir os impostos e cortar muitos programas. É o fundo do debate em andamento.
E pelo mundo
Os europeus continuam enrolados, o povo grego resolveu votar no Syriza que era contra o programa de austeridade em curso, o BCE cortou uma linha de crédito e bilhões de euros saíram do país em busca de segurança. Foi neste quadro que os novos governantes foram negociar com a Comissão Europeia, ganharam 4 meses para respirar. Para que fazer eleição se o resultado final é o mesmo? Muito mais barato seria deixar que os bancos indicassem uma junta de sua confiança para dirigir o país, como fizeram recentemente na Itália. Agora transita no Congresso espanhol um projeto de lei limitando o direito de manifestação nas ruas e proibindo filmagens da atuação das forças policiais. Tenho escrito repetidamente que para manter a atual configuração da economia mundial seria preciso restringir as liberdades civis, este é um exemplo. A Ucrânia vive um intermezzo, os rebeldes no leste mostraram uma capacidade de resistência inesperada auxiliados pelos russos que estão às voltas com o assassinato de um opositor. Os europeus não querem agravar a situação armando o governo de Kiev, mas também não podem entregar o leste do país aos russos que amargam recessão e inflação. As agruras astrológicas dos europeus estão apenas começando: o eclipse solar e o ingresso do Sol em Áries pegam a solitária Lua no início do signo na casa 9, mais tumultos nas relações internacionais e possibilidade de novos atentados, a Lua rege a casa 12. Veja o mapa do Tratado da União Européia.
No Oriente Médio, o Califado prossegue as matanças e nos intervalos aproveitam o tempo para arruinar sítios arqueológicos milenares ou vender peças para se financiar. O exército iraquiano deu sinais de vida e prepara-se para retomar Tikrit e depois Mosul, cidade estratégica no conflito. Bibi, que tem eleições próximas, foi ao Congresso americano para enxovalhar Obama e sua política de acordo com os iranianos, foi patrocinado pelos republicanos cujo ódio político beira a insanidade, eles também querem armar os ucranianos com armas pesadas e deflagrar uma guerra com a Rússia. No caso de Israel o eclipse e o ingresso beneficiam a oposição trabalhista (Avodah) nas próximas eleições, pois estimulam positivamente a Lua natal representante deste partido. Veja o mapa de Israel.
Racismo nos EUA
Conflitos raciais nos EUA
Foto em www.oglobo.com.br
Os EUA vivem mais um ciclo de conflitos raciais desde que Saturno em Escorpião fez quadratura à Lua natal em Aquário. O dólar valorizado barateia importações e fortalece o mercado financeiro doméstico, mas os atuais preços do petróleo pressionam a exploração de xisto, pois as empresas estão altamente endividas. O FED mantém o suspense sobre a elevação dos juros o que tumultua o mercado cambial do mundo.
Nota sobre Astrologia Mundial
Vamos ver as três últimas conjunções de Netuno/Plutão.
maio.905 a 28 de Touro. China: fim da dinastia Tang e 50 anos de tumultos. A dinastia Sung desenvolve a pólvora, a bússola e a tipografia, trabalhos notáveis em jade e porcelana. Índia: está dividida com alguns principados mulçumanos. Shankara consolida a doutrina advaíta, a cultura védica espalha-se pela Indonésia e Sudeste da Ásia. Islão: grande desenvolvimento cultural, presente da Espanha até a fronteira com a China. Difusão dos algarismos hindus. Europa: consolidação do feudalismo, expansão do cristianismo para o Norte, surge o embrião do futuro Império Russo. Auge da expansão viking. América: declínio da civilização maia.
junho.1398 a 3 de Gêmeos. China: a dinastia Ming recupera o país depois da ocupação mongol. Grande expansão marítima até a África. Restauração de Pequim e da Grande Muralha. Índia: país dividido, mas o reino Chola domina a metade sul. Grande desenvolvimento em Kerala da astronomia, trigonometria e matemática. Islão: ainda se recupera das grandes invasões mongóis, os turcos começam a se expandir. Europa: capitalismo comercial, centralização monárquica e início do Renascimento.  A Igreja estava submetida pelos reis franceses. Américas: ascensão dos astecas e incas.
agosto.1891 a 8 de Gêmeos. China: o país está retalhado pelas potências ocidentais e a monarquia milenar chega ao final, vinte anos depois. Índia: o Partido do Congresso inicia a campanha pela independência. Islão: o império Otomano está em desintegração e os ingleses ocuparam o Egito, pouco depois petróleo é descoberto na Pérsia. Europa: entra na segunda fase da revolução industrial (eletricidade, aço, petróleo, química, máquinas), automóvel, avião, rádio, cinema, descoberta da radioatividade e raios-X, psicanálise, sociologia universitária. Américas: os EUA se tornam a primeira potência industrial e os latinos recebem grandes investimentos externos. África: é retalhada pelos europeus no congresso de Berlim 1884 e seu interior é explorado.
Como se vê o mesmo aspecto produz efeitos diferentes, pois cada região, reino ou civilização possui seu próprio mapa natal. Esta conjunção em si é um marcador razoável de ascensão e declínio de civilizações, as duas primeiras quase marcam a duração do feudalismo que começou um pouco antes de 905 com a divisão do reino de Carlos Magno. Para termos uma ideia precisa do jogo planetário teríamos que fazer um gráfico imenso com duas destas conjunções entremeadas por centenas de conjunções de Júpiter com os 4 planetas externos, dezenas de Saturno com os outros três, três conjunções Urano/Plutão e 2 de Urano/Netuno. Para mencionar apenas os planetas lentos.
Plutão e seu satélite
Plutão numa ilustração de David A. Aguilar - Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics
A última conjunção (1891) foi particularmente forte, ocorreu próxima a grande estrela Aldebaran e foi sucedida por aspectos importantes: Júpiter conjunção a Plutão e Netuno em 1894, Saturno conjunção Urano (1897), Júpiter conjunção Urano (1900), Júpiter conjunção Saturno e Urano oposição a Plutão (1901), Urano oposição Netuno (1905), Júpiter conjunção Plutão (1906) e Júpiter conjunção Netuno (1907). Ocorre uma pausa quando ocorreram a revolução dos jovens turcos, a mexicana, a queda da monarquia chinesa e a guerra nos Balcãs. O próximo ciclo trouxe a Primeira Guerra com as conjunções Júpiter/Urano e Saturno/Plutão.
Ocorrendo em Gêmeos ela teve um profundo impacto nos transportes e comunicações, além de novas tecnologias e descobertas científicas, o reconhecimento do elétron está relacionado a Saturno/Urano e os três artigos seminais de Einstein em 1905 a oposição Urano/Netuno. No Brasil este ciclo acompanhou o grande tumulto de 1889 até 1906 com o Convênio de Taubaté que estabilizou a República Velha. Nos EUA levou o país à liderança industrial com destaque para a eletricidade, o que só reforça a importância de Urano no mapa natal. Além disto, a sequência de aspectos importantes pressagiava a Guerra que estava por vir. As nações se armavam até os dentes, mas também celebravam Conferências de Paz em Haia, o que toldou a percepção do conflito logo adiante. Eurípedes, o dramaturgo grego, escreveu que os deuses antes enlouquecem aqueles que querem eliminar.
E por falar em loucura, choveu bem nas últimas semanas o que levou os governos a silenciarem sobre a estiagem e a necessidade de racionamento. A conta chegará no segundo semestre.
Contato com o autor:
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo e
estudioso da Cabala: rui.ssbarros@uol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 16/3/2015
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