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14 de agosto de 2022

Responsável: Constantino K. Riemma


República, um objeto imaginário no Brasil
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Marte atravessou Áries cruzando Urano e ocorreram dois eclipses totais, pelo mundo afora muitos acidentes com transportes e incêndios. Por aqui continua a queda de braço entre o Executivo e o Legislativo, a economia definha e a violência escala. O PMDB foi um centro de gravidade do sistema político desde a redemocratização, agora tem poder formal na trinca Temer/Renan/Cunha. A pinimba começou no primeiro mandato, azedou nas eleições e explodiu agora, Dilma está acuada, não consegue nem indicar um nome para  vaga no STF temendo uma rejeição no Senado.
Renan e Cunha
A dupla dinâmica sobe a rampa>
Foto do site http://acritica.uol.com.br
Plutão faz um trino ao Sol natal do mapa do Brasil e as mazelas estão no noticiário. Pensamos que a Lava Jato fosse o ápice da corrupção com 2 bilhões. Ledo engano, o Carf promete mais, uns 6 bi na conta preliminar, o Carf resolve as pendências tributárias e tudo indica que grandes empresas pagaram propinas para se livrar de multas. A sonegação de imposto de dinheiro brasileiro nos paraísos fiscais pode chegar a 100 bi. E isto é só a superfície.  Educação e saúde precárias, centenas de obras paradas, balas zunindo nas favelas e cortiços, desindustrialização rápida.  Ainda carregamos um passivo enorme de miséria e pobreza. O trino é um aspecto harmônico, uma promessa de regeneração.
Na Ucrânia, as pessoas ficaram três meses no inverno numa praça até derrubarem o governo, não será com uma manifestação por mês que resolveremos a parada por aqui. Ademais, o PMDB não quer dar início a um impeachment e nem o STF. As manifestações são conduzidas por meia dúzia de organizações que não têm ideia do que querem para o futuro do país, é natural, pois só agora começam a fazer política. Temas para manifestação não faltam, agora mesmo toca-se uma reforma política que não muda quase nada e garante que a casta política continuará a ser patrocinada por doações espúrias, em todo caso e para se garantir, já triplicaram o valor do Fundo Partidário que permite a existência dos 32 partidos registrados.
A economia do país perdeu o rumo em 1982, internada na UTI do FMI, conjunção Saturno/Plutão no final de Libra, casa 9, necessidade de empréstimos e investimentos externos. De lá para cá só voos de galinha, crescimento que não se sustenta. Desde a independência o país depende completamente do cenário internacional e é extremamente vulnerável, as várias moratórias o comprovam com o Sol natal na casa 8. O ciclo recente Lula/Dilma é outra evidência do problema. A indústria de transformação representava 34% do PIB em 1982 e agora 14%, continuamos a exportar minério de ferro e importar aço, café em grão e importar processado.
Flanelinha
Parada no trabalho
Do site www.odiariodebarrelas.com.br
 
A melhor forma de distribuir renda é criando bons empregos, como não conseguimos os governos criam programas sociais para minorar a miséria extrema.
O Brasil tem uma PEA (população economicamente ativa) de 50%, abaixo dos padrões internacionais. Trinta milhões são autônomos, classe que engloba desde um dentista no consultório a um flanelinha na rua e o pessoal do crime organizado, eles não têm férias, 13 ou previdência pagos por empregador.
Dois terços dos trabalhadores da iniciativa privada recebem até 2 salários mínimos. A produtividade e escolaridade do pessoal do comércio e serviços são muito baixas. Os governos recolhem 36% do PIB que distribuem mal e porcamente. É um retrato de uma economia dependente que a terceirização pode precarizar ainda mais.
A crescente violência no país tem relação com a economia e a impunidade que reina no andar de cima. Rebaixar a idade para penalidade é populismo. O crime organizado arregimentará garotos de 14 e 15 anos, mais razoável seria impor penas progressivas para qualquer idade, mas isto os governos estudais não querem, teriam que construir mais presídios o que só traz aborrecimentos e nenhum voto. É por isto que os presos são liberados antes de cumprir metade das penas. Os telejornalistas que açulam o povo e o Congresso para votar tais projetos de lei prestam um tremendo desserviço e acabam apoiando os governadores da inércia. A exploração emocional que a imprensa pratica com os parentes de vítimas de assassinato é indecente, mas não importa se leva água para o moinho.  Enquanto isto, bandidos tomam conta dos conjuntos residenciais do Minha casa.
Marco Antonio Vila se dedica ao jornalismo. No momento publica artigos pedindo o ‘Fora Dilma’. Tem todo o direito. Recentemente escreveu esta joia: Continuaremos a aceitar passivamente a destruição de nossos valores republicanos ou tomaremos uma atitude cívica, de acordo com os melhores momentos de nossa história? Ah, que maravilha, já tivemos uma República! Vinte anos depois da proclamação Lima Barreto e Alberto Torres expuseram este objeto imaginário que é a República brasileira. Os conflitos entre o país legal e o real foram resolvidos pela bela ditadura da era Vargas, ainda saudada como progressista. Por que intelectuais e jornalistas mantém esta ilusão tenaz? Porque ajudaram a propagá-la e têm vergonha de admitir o vexame completo da realidade atual.
 
Emblema da República brasileira
Brasão da
República
Escrever no estilo Rui Barbosa é um tico retrô e brega. No Brasil as pessoas ainda não conseguem andar à direita em público, a sujeira nas calçadas é infame, carros parados em fila dupla, não há qualquer noção de coisa pública, essência do regime republicano.
Já a Dilma concorda com Marco Antonio, temos valores republicanos e eles são encarnados em sua pessoa. Além disto, declarou recentemente que a Petrobrás limpou a área e está pronta para deslanchar novamente, exceto que tem uma dívida enorme, obras paralisadas, investimentos precários que deram prejuízo e valor acionário no subsolo. Levará anos para se recompor.O projeto do pré-sal deve ser revisto de alto a baixo. No mapa do Brasil há uma oposição Mercúrio/Plutão, o que resulta às vezes em mitomania, mentira compulsiva. Mentem os governantes, jornalistas e intelectuais e mente o povo ao IBGE, que ninguém é bobo de abrir o jogo.
Estacionamento proibido
Flagrante da noção de coisa pública
Foto em www.correiobraziliense.com.br
Um dos movimentos que organizam as manifestações de rua é o MBL, baseado em Mises e cia bem limitada. Os liberais têm uma péssima ficha corrida no Brasil: diante das primeiras dificuldades batem nas portas dos quartéis, foi assim em 1835, 1889, 1930 e 1964. Sempre marcharam com os fardados, mas estes ingratos sempre fizeram uma política estatizante para o pesar dos liberais. Eles também vivem numa mentira compulsiva; na época do Machado de Assis eles se entretinham conversando sobre a Constituição americana, enquanto os escravos de libré serviam o café. O dia que o país tiver um partido Liberal sólido será um avanço.
Marte acabou de cruzar Saturno natal, logo adiante fará oposição ao planeta dos anéis no céu e ingressará em Gêmeos ativando a Lua/Júpiter natal, decidindo o ritmo das manifestações populares. Júpiter, agora direto em Leão, logo cruzará Vênus natal e ingressará no setor 7, balança comercial, que espero melhore este ano. Saturno retrograda até Escorpião e obriga o executivo a rever decisões, o chamado a Temer para coordenar as relações políticas já é um sinal relacionado ao movimento de Saturno e uma cartada decisiva de Dilma. No meio do ano veremos muitos desempregados nas ruas e os problemas com água e energia azucrinando. Veja o mapa.
Pelo mundo
Oriente Médio — – Em meio à tensão astrológica das últimas semanas, uma boa notícia: o Irã e potências ocidentais chegaram a um prévio acordo sobre a questão nuclear, num retorno de Júpiter e o eclipse lunar sobre Plutão natal, veja o mapa do Irã. Para a nação persa é um alívio, pois as sanções econômicas bateram forte no país e a economia está depauperada. Bibi está espumando em Israel e promete torpedear o acordo no Congresso americano, uma ingerência que só mesmo congressistas do outro povo eleito aceitariam. O Estado Islâmico continua a barbarizar e agora está às portas de Damasco, se continuar a avançar para o Sul tropeçará com Israel. No Iêmen, milícias xiitas encurralam o governo e os sauditas e egípcios correm para evitar a tomada de poder, o que seria mais um ponto para o Irã. O resultado final da intervenção no Iraque e da primavera árabe é o caos atual.
Reunião de cúpula - acordo nuclear com o Irã
Negociação do acordo nuclear com o Irã
foto do www.portugues.rfi.fr
União Europeia — O novo governo grego continua a se equilibrar precariamente, a fuga de depósitos bancários continua. A dívida é impagável, mas Bruxelas pensa que se ceder aos gregos terá que fazer concessões também aos espanhóis e portugueses. Enquanto isto, Tsipras foi a Moscou ver Putin e conversar sobre exportações de alimentos e fornecimento de gás, o que provocou calafrios na direção da Comissão em Bruxelas, por conta da crise da Ucrânia. Esta nação continua o calvário da recessão e precariedade, a ministra das Finanças do país é formada e viveu anos nos EUA, o ouro depositado no BC ucraniano foi removido para um lugar seguro nos EUA. Os empréstimos para o governo ucraniano saem a conta-gotas, pois ninguém é louco o bastante para queimar dinheiro com mafiosos. O governo russo cozinha lentamente a situação esperando que a economia afunde e o governo ucraniano entre em parafuso.
China — Devagar e discretamente o governo chinês tece sua teia. No ano passado lançaram dois bancos de desenvolvimento (Brics e Ásia), agora  outro que atraiu o dinheiro europeu para a fúria do governo americano. Aprofundam sua atuação na América Latina e África e se preparam para conviver com um crescimento menor, tomaram consciência do problema ambiental, atuam discretamente nos fóruns internacionais. Planejam duas novas rotas da seda para ligação com a Europa, uma ferroviária e outra marítima. Os bancos de desenvolvimento concorrem com o FMI e Banco Mundial, e se preparam para lidar com um Yuan conversível. Mais e mais a China depende do exterior, até arroz importam, e por isto procuram não tumultuar a cena mundial. Júpiter está na casa 7, relações diplomáticas e balança comercial, veja o mapa da China.
Cúpula das Américas — Obama se encontra com Raul Castro e dão mais um passo para a normalização das relações entre EUA e Cuba. Os regimes nacionais populares  da América Latina fazem água feio e estariam pior sem a assistência da China. Os EUA não têm muito a oferecer com a economia numa eterna recuperação desde 2010 e com preocupações com os tumultos do mundo islâmico e Ucrânia. O México, que os mercados andaram apresentando como a nova fronteira, já retornou a sua realidade habitual de guerra civil com o narcotráfico e economia cambaleante. Os socialismos latinos são conduzidos por fazendeiros do ar que nunca pensam que a maré vira e os preços das matérias-primas que exportam um dia caem. Muita retórica e pouca ação. No passado isto terminava em golpes militares, agora em caos político. Um trino Lua/Marte ameniza os conflitos (Cuba)  e uma quadratura Marte/Júpiter os agudizam (Venezuela).
Notas sobre astrologia mundial
André Barbault, que fez colaborações de monta ao estudo, chamou a atenção para o ciclo Saturno/Urano em trino no mapa dos EUA, e para a conjunção Saturno/Netuno para o da URSS. Disto deduziram que a primeira diz respeito ao capitalismo e a segunda ao socialismo. Isto não é exato, pois qualquer par de planetas exerce um papel em qualquer parte do planeta. Assim, a conjunção Saturno/Urano de 1942 no final de Touro, sinalizou a ofensiva soviética à invasão alemã, revirando os rumos da guerra na Europa. Já a oposição Saturno/Netuno de 1971 presenciou o abandono do padrão ouro no governo Nixon, início de nova fase na economia mundial. Com a conjunção dos dois planetas em 1989, ruiu o sistema soviético, mas também foi o ano da proclamação do Consenso de Washington.
Nosso trabalho seria mais fácil se pudéssemos determinar de antemão os temas de uma conjunção de dois planetas. Vamos tomar o caso de Júpiter/Urano, uma conjunção que a literatura astrológica define como indicador de inovações científicas e tecnológicas. Ao levantar os eventos dos anos de conjunção do século 20, isto parece se confirmar: lançado o primeiro Zepelin e Max Plack apresenta a teoria quântica (1900, 9 de Sagitário); emprego de aviões na Primeira Guerra (1914, 9 de Aquário); primeira emissão televisiva, cinema sonoro, gravação elétrica de discos e travessia em avião no Atlântico (1927, 3 de Áries); vacina contra pólio, IBM apresenta versão moderna do Eniac, teoria do Bing Bang (1954, 25 de Câncer); lançamento do Concorde, homem na Lua e Arpanet, embrião da futura internet (1968/9, a 3 de Libra); Reagan lança o programa ‘guerra nas estrelas’ e a criação do PCR facilita os estudos genéticos (1983, a 8 de Sagitário) e a clonagem da ovelha Dolly (1997, a 5 de Aquário).
Mas se estudarmos o tema para o século 18 vamos encontrar outro panorama, é mais correto afirmar que a partir da revolução industrial o ciclo exerce este papel técnico-científico, antes não. Em 1941 houve outra conjunção em 25 de Touro e desta vez tratava-se de megalomania: a Alemanha dominava a Europa e o Japão o Pacífico, a primeira decidiu entrar em guerra contra a URSS e o segundo contra os EUA e deu no que deu, o início da derrota. Como se vê não há atalho, é preciso considerar onde cai a conjunção e quais aspectos ela faz aos outros planetas.
A trajetória do PT - Partido dos Trabalhadores
Vê-se imediatamente  o papel do partido na recente história do país, cotejando com o mapa natal do Brasil: o Ascendente cai na posição de Saturno natal, o Sol no Ascendente do país, Marte encima do Sol natal, Urano no MC natal, Saturno próximo ao Mercúrio natal, Vênus conjunção a Plutão natal e a Lua em oposição à Lua natal.
Mapa do PT
Mapa do Partido dos Trabalhadores
Este mapa do PT foi retificado pelo saudoso prof. Raul Martinez em artigo publicado no site da
Constelar: www.constelar.com.br/constelar/116_fevereiro08/pt_retificacao.php
O mapa apresenta uma forte ênfase em Aquário e casa 11 com o Sol em quadratura a Urano e Vênus, regente do Ascendente, na casa 11. A quadratura Sol/Urano (voluntarismo e obstinação) passa por longo trânsito de Saturno agora e, sem dúvida, reflete a desestruturação da direção do partido que, no entanto, persiste de modo obstinado. Netuno faz um longo trânsito por Mercúrio, o deus dos ladrões. O lastro ético da fundação do partido foi perdido em 2005 com o mensalão e agora se vai também a capacidade  de mobilização e negociação política.
Este mapa está repleto de tensões. Mercúrio está em oposição a Júpiter - comunicação exagerada ou o gatuno otimista - e a Marte, retórica aguerrida e na defensiva. A conjunção Marte/Júpiter tem um caráter cruzadista evidente. Na conta final Saturno domina o tema, dispondo do Sol, fazendo oposição ao regente do Ascendente, Vênus, a 8 de Touro próximo ao Saturno natal do Brasil. Há também um traço plutoniano sério, pois Vênus está em conjunção com Plutão natal e este planeta faz um trino ao Sol do partido.
Fundado por sindicalistas, intelectuais e algumas organizações católicas, o partido apresentou-se como representante das classes populares, com um programa nacional-popular, democracia interna e exigindo ética na política. A primeira transformação ocorreu na década de 1990, se tornando um partido profissional: foi feito um grande esforço para implantar diretórios municipais, a direção foi transferida para gente com mandato político, gradualmente os militantes foram substituídos por terceirizados para funções de agitação e propaganda, os intelectuais e católicos passam para segundo plano. A segunda transformação deu-se em 2003 quando ganhou as eleições: Júpiter em Leão retrógrado em oposição ao Sol do partido, Saturno a 24 de Gêmeos em quadratura a sua posição original e em trino ao Sol; Urano acabava de passar pelo Sol do partido e Ascendente do país, Netuno em Aquário fazia uma quadratura exata ao Ascendente do partido  e Plutão próximo ao Netuno natal. Uma configuração muito tensa.
E o partido caiu no Brasil real político. A bancada no Congresso não chegava a 15% e era preciso fazer coalizões para governar, agradar ao capital financeiro que ameaçava debandar, aos industriais que definhavam e agradar os trabalhadores que o elegeram. Pai dos pobres e mãe dos ricos. Graças aos ventos favoráveis da economia mundial foi possível dar um pedaço a cada um, os trabalhadores viram o emprego formal e o salário real subir, a rentabilidade financeira foi ótima e o BNDES incentivou industriais selecionados. O sistema tributário continuou caótico e altamente regressivo, era um trabalhismo ambíguo. A terceira transformação foi fatal.
Dilma era uma burocrata de carreira oriunda do PDT e nunca havia disputado uma eleição. Tomou posse com uma configuração tensa sobre a Vênus do partido: Júpiter e Urano em Áries, Saturno em oposição em Libra e Plutão em quadratura em Capricórnio. Pouco experiente em negociação política, isolou-se e deixou aliados a ver navios. O próprio PT não era contemplado, mas não negou apoio. A conjuntura internacional mudara, mas o voluntarismo continuava a pleno vapor: a Petrobrás e o BNDES foram convocados a salvar o projeto, manter a inflação em ordem e distribuir benesses aos favoritos. O aviso de 2013 foi ignorado, até que o resultado apertado das eleições estilhaçou o projeto. A desarrumação da economia escancarou, as investigações policiais puseram a descoberto o propinoduto como base da governança.
O trânsito de Saturno pela quadratura Sol/Urano indica a necessidade de mudança de direção e valores, até agora nada. Saturno ingressará na casa 8, crise, regeneração ou morte, em 2016.
Contato com o autor:
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo e
estudioso da Cabala: rui.ssbarros@uol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 14/4/2015
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